Carro-bomba mata dois em Jerusalém
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quinta-feira, 02 de novembro de 2000
Associated Press De Jerusalém 
Um carro-bomba explodiu ontem nas proximidades de um movimentado mercado ao ar livre de Jerusalém, matando duas pessoas, no momento em que uma trégua entre israelenses e palestinos estava para ser anunciada.
O movimento Jihad Islâmico na Palestina, que tem como braço armado as brigadas Al Qods (Jerusalém), reivindicou o atentado. De acordo com o texto da mensagem, as brigadas Al Qods (Jerusalém), braço armado do Jihad Islâmico na Palestina, reivindicam a autoria da heróica operação desta tarde no coração de Jerusalém.
É rival e predecessor do Movimento de Resistência Islâmica Hamas no radicalismo entre os palestinos. Criado em 80, e de inspiração pró-iraniana, o Jihad é a primeira organização radical palestina a se envolver na luta armada. No começo veio ligado ao Fatah, formação de Arafat, e de khalil al Wazir (Abú Jihad), adjunto do dirigente palestino, que cumpriu papel importante em sua estruturação.
O Jihad foi responsável direto pela Intifada, o levante palestino das pedras de 87 a 93. Em seis de outubro de 87, a morte de quatro integrantes do Jihad numa emboscada do Shin Beth (serviço de inteligência de Israel), desatou um ciclo de violência e provocou a primeira onda de enfrentamentos. Esses incidentes levaram a criação do Hamas, nos primeiros dias da Intifada, para se opor ao Jihad.
Segundo testemunhas, o carro que explodiu estava sendo perseguido pela polícia. Uma grossa nuvem de fumaça preta subiu aos céus depois da grande explosão perto do mercado Mahane Yehuda, na judaica Jerusalém Ocidental. Onze pessoas ficaram feridas, a maioria sem gravidade.
Autoridades israelenses afirmaram que por enquanto vão respeitar a trégua acertada na noite anterior com os palestinos. O primeiro-ministro Ehud Barak deveria fazer um pronunciamento pela televisão ontem. O líder palestino Yasser Arafat convocou seu gabinete, mas não reagiu imediatamente à notícia da explosão em Jerusalém.
Inicialmente a polícia havia anunciado que os dois mortos eram aparentemente os atacantes. Entretanto, o chefe da polícia de Jerusalém, Yair Yitzhaki, disse que o homem e a mulher que morreram na explosão não estavam dentro do veículo, e pelo menos uma das vítimas era israelense.
Yitzhaki afirmou que a explosão foi tão poderosa que até ontem a polícia não havia conseguido identificar a marca do carro. Uma testemunha disse que tentou tirar a mulher do meio das chamas. Eu vi a mulher no chão, as pernas dela haviam sido arrancadas, afirmou Yaakov Hassoum, proprietário de uma loja nas proximidades.
Um soldado israelense, Oshri Atun, disse que pouco antes da explosão ele viu um sedan branco sendo perseguido pela polícia com as sirenes ligadas. O carro entrou numa ruela lateral, e segundo depois ocorreu a explosão, afirmou ele.
O ataque aconteceu pouco antes que Barak e Arafat fizessem anúncios em separado de um cessar-fogo um esforço para pôr fim a mais de um mês de confrontos que já deixaram mais de 162 pessoas mortas, a imensa maioria palestina. Os anúncios haviam sido postergados sem explicação antes da explosão.
Um porta-voz do Exército israelense, general de brigada Ron Kitrey, afirmou que tinha detalhadas advertências sobre ataques, e que forças de segurança israelenses têm estado em alto alerta nas últimas semanas.
Por anos, o mercado - espalhado por vários quarteirões da vizinhança predominantemente religiosa - tem sido um alvo preferencial daqueles tentando sabotar a paz entre israelenses e palestinos.
No local, em novembro de 1998, a explosão de um carro-bomba matou dois atacantes suicidas e feriu outras 21 pessoas. O Hamas assumiu responsabilidade por aquele ataque. E em julho de 1997, dois militante suicidas explodiram bombas atadas a seus corpos. Os dois morreram e mais 16 pessoas.


