Um carro-bomba provocou duas poderosas explosões ontem num tranquilo bairro ultra-ortodoxo judeu em Jerusalém, ferindo uma pessoa e deixando outras 9 em estado de choque. Um grupo autodenominado ‘‘Forças de Resistência Popular Palestina’’ assumiu responsabilidade pelo atentado num fax enviado à The Associated Press. Em resposta, o primeiro-ministro eleito de Israel, Ariel Sharon, disse que o atentado iria apenas fortalecer sua resolução de não retomar negociações com a Autoridade Palestina, do líder Yasser Arafat, enquanto a violência continuar.
‘‘O governo que eu vou liderar fará todos os esforços para alcançar a paz, mas a condição para começar as negociações é o fim da violência e do terror’’, disse ele a repórteres.
O atual primeiro-ministro Ehud Barak disse que Israel ‘‘terá de fazer todo o possível para parar com essa violência e capturar os perpetradores desses ataques’’.
O atentado pegou Barak no meio de um discurso no Partido Trabalhista em Tel Aviv, e ele anunciou que tinha de voltar correndo para Jerusalém.
As duas explosões, com segundos de intervalo, ocorreram pouco antes das 17 horas (horário local) numa rua transversal de Beit Yisrael, um bairro ultra-ortodoxo judeu de Jerusalém. ‘‘Foi um carro-bomba’’, disse o comandante da Polícia de Jerusalém, Micky Levy. ‘‘O carro ficou totalmente destruído.’’
Houve informação de que a explosão foi causada por botijões de gás colocados no carro roubado, e não por explosivos, o que resultou em danos relativamente pequenos. Levy afirmou que uma pessoa ficou ferida e foi levada para um hospital, e que nove outras pessoas foram atendidas por paramédicos em estado de choque.
Testemunhas disseram que, com a explosão, o carro foi jogado a uma altura de quatro andares.
‘‘Ouvi uma explosão e comecei a correr e então, meio minuto depois, ouvi uma segunda explosão. Vi o carro voando em pedaços, mas não vi ninguém caindo. Mas não fiquei para observar’’, afirmou David Leiser, 21 anos.
A polícia isolou e promoveu buscas na área. Alguns policiais vasculharam pilhas de lixo acumuladas nas calçadas devido a uma greve de trabalhadores municipais.
Em sua mensagem, o grupo palestino afirmou que o atentado com carro-bomba era um primeiro aviso para ‘‘o criminoso fascista Sharon em resposta a seu programa político e declarações’’ e exigiu que autoridades palestinas rompam contatos com o governo israelense.
Até agora a polícia deteve dois suspeitos em Jerusalén Oeste. Os dois foram presos quando fugiam para Jerusalém Leste, a parte oriental (árabe) da Cidade Santa, segundo uma fonte policial.
Os dois homens, que se deslocavam a pé, foram detidos por uma patrulha motorizada após serem perseguidos pelas ruas de Jerusalém Oeste.

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