Carro-bomba causa morte de 18 policiais no Iraque
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segunda-feira, 03 de janeiro de 2005
Folhapress 
Bagdá - Um carro-bomba matou ontem pelo menos 18 policiais nas imediações de Bagdá, em novo ataque contra as forças de segurança iraquianas às vésperas da eleição do dia 30. O veículo foi lançado contra um ônibus que transportava membros da Guarda Nacional Iraquiana.
O atentado ocorreu nas imediações da base americana de Balad, ao norte da capital iraquiana. Três horas antes, insurgentes mataram três policiais em Samarra e um dirigente municipal daquela cidade.
Americanos e seus aliados acreditam que a sucessão de atentados em território sunita, atribuída a partidários do deposto ditador Saddam Hussein, procure atemorizar os eleitores e mantê-los longe das urnas. ''Os responsáveis por esse atentado tentam evitar que a democracia chegue ao Iraque, mas eles não atingirão seu objetivo'', disse o major americano Neal O'Brien, em Tikrit.
O grande atentado anterior contra a Guarda Nacional Iraquiana ocorreu em meados de setembro, quando 47 morreram numa delegacia de Bagdá.
Ontem foram ainda mortos dois integrantes do governo provincial de Diyala e um polícia, à saída de sua casa, em Bagdá.
A Guarda Nacional anunciou que prendeu 228 pessoas vinculadas aos insurgentes. A ação, em áreas sunitas de Bagdá e cercanias, permitiu também a localização de arsenais e material impresso, segundo o governo.
Foi também preso Hatem Al Zawbai, suspeito de chefiar as Brigadas Revolução de 1920, às quais se atribuem sequestros de cidadãos estrangeiros.
O grupo, denominado a partir da primeira rebelião iraquiana contra forças britânicas, havia reivindicado no ano passado o sequestro de um marine e de um técnico, ambos americanos.
Outros dez supostos insurgentes foram presos em Mahmudiya, para onde retornavam de Mosul, a terceira maior cidade iraquiana e que tem registrado intensa atividade militar dos opositores dos EUA e de seus aliados locais.
O subsecretário de Estado americano, Richard Armitage, em visita a Damasco, disse que a Síria tem se esforçado para controlar sua fronteira com o Iraque, mas que novos esforços devem ser feitos para evitar que partidários de Saddam se infiltrem para cometer atentados no país vizinho.
A Síria nega que dê abrigo a insurgentes e disse hoje que o diagnóstico de Armitage carecia de evidências.
Um vídeo achado em Bagdá, com episódios do período de Saddam, mostra o ex-presidente do canal árabe Al Jazira em declarações subservientes ao regime deposto. ''A Al Jazira é o seu canal'', diz Mohammed Jassen Al Ali, segundo transcrição da gravação publicada ontem em Londres pelo jornal ''Asharq Al Awsat''.
''Estou aqui para ouvir seus pontos de vista e observações'', disse ele a Udai, um dos filhos de Saddam, morto em 2003 pelos americanos. ''Caso vocês não tivessem cooperado conosco e nos apoiado, a minha missão não teria sido bem-sucedida'', disse.
A cena se passou em 13 de março de 2000. Ali faz ainda menção a ''algumas idéias'' que teria relatado em encontros prévios. Tais idéias teriam provocado ''algumas mudanças'' na linha de cobertura do canal, menção indireta a uma inflexão do noticiário favorável ao governo iraquiano.
Ali foi demitido depois da invasão americana no Iraque. Jornais árabes especularam que ele se tornara um peso incômodo por seus vínculos com o regime deposto. A Al Jazira não quis comentar o episódio antes de assistir a fita.


