Carrasco pode morrer sem julgamento
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sábado, 15 de fevereiro de 1997
Vera Haller Agência Reuters 
Arquivo FolhaFim de linhaPriebke foi encontrado na Argentina, onde estava escondido desde o fim da segunda guerra, e levado preso para a Itália em 1995ROMA - O advogado de um notório criminoso de guerra, o ex-oficial nazista Erich Priebke, de 83 anos, acredita que muitos nos círculos judiciais italianos desejariam que seu cliente caísse morto. Ainda que falando ironicamente, o advogado Giosue Naso diz que é obvio que ninguém quer se meter com este caso. Priebke, acusado por sua participação no assassinato de 335 homens, adultos e jovens, em Roma, durante a ocupação nazista em 1944, permanece preso na Capital italiana desde sua extradição da Argentina, em novembro de 1995.
Já julgado na Itália, Priebke espera a decisão de uma corte de apelações a respeito de um polêmico veredito. Mas seu caso, que passa de mão em mão entre tribunais civis e militares, se converteu em uma batata quente, e foi parar no limbo judicial. O mais alto tribunal italiano, a Corte de Cassação, decidiu segunda-feira que o caso deverá ser retomado por um tribunal militar.
Basta estudar o resultado do primeiro julgamento contra Priebke para entender porquê os juízes relutam tanto em aceitar o caso do ex-capitão da SS alemã. Quando um tribunal militar determinou, em 1º de agosto que, apesar de sua culpabilidade, Priebke deveria ser liberado, romanos furiosos se concentraram nos tribunais e se negaram a abandonar o edifício.
As tensões diminuíram apenas quando o ministro da Justiça, Giovanni Maria Flick, veio aos tribunais e ordenou que Priebke fosse preso novamente, depois de um pedido de extradição da Alemanha, para ser processado também ali por crimes de guerra.
O estrago político provocado pelo caso fez com que tanto tribunais civis quanto militares se declarassem incompetentes para entender e julgar a causa. Assim que for estabelecido o lugar, o julgamento recomeçará imediatamente.
Antonino Intelisano, o procurador militar que julgou Priebke da primeira vez, renunciou. Os advogados do nazista alegaram que a contínua prisão de seu cliente é uma violação de seus direitos e planejam apelar ao Tribunal Europeu para os Direitos Humanos, em Estrasburgo.
O Centro Simon Wiesenthal, dedicado à caça de nazistas e que ajudou a localizar onde ele morava há mais de 50 anos, no balneário andino de Bariloche, no Sul da Argentina, também está preocupado com a demora.
O que ocorre em situações como estas é que finalmente há um efeito anestésico e novos acontecimentos distraem a atenção para outras coisas, explicou Simon Samuels, diretor de assuntos europeus do Centro Wiesenthal, com sede em Los Angeles. No final, a única coisa que restará é a total indiferença, reclamou.
Priebke admitiu que se encontrava nas Cavernas Ardeatinas, fora dos muros da cidade, quando as 335 vítimas foram executadas, incluindo 75 judeus, que em seguida foram enterrados nas cavernas. Também admitiu ter matado duas pessoas.
O ex-oficial alegou que tinha que cumprir ordens para não perder a própria vida, e disse também que o massacre foi uma vingança legítima, em tempo de guerra, por um ataque partisan (a resistência) à bomba um dia antes, em que morreram 35 soldados leais ao regime nazista.
Muitos analistas afirmam que o caso Priebke é delicado assim para a Itália porque o País jamais superou completamente as divisões causadas pela desastrosa aliança facista com a Alemanha Nazista, na Segunda Guerra Mundial. Os juízes prefeririam que Priebke resolvesse o problema por causas naturais, vale dizer, morrendo, declarou o advogado Naso.


