Carlos Wasmosy nega conspiração
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
France Presse 
O ex-presidente paraguaio Juan Carlos Wasmosy desmentiu acusações de suposta conspiração para derrubar o governo de Raúl Cubas, durante uma veemente intervenção no Senado ontem.
Wasmosy disse que Cubas não tem coragem para assumir seu papel de condutor da República deixando entrever que seu mentor político, o general da reserva Lino Oviedo é que manda no Paraguai.
A reação do ex-governante acontece por causa da última denúncia de seu sucessor, que o identificou como o motor da crise política gerada no Paraguai e que procura supostamente sua queda.
Cubas acusou publicamente Wasmosy de ter esvaziado os cofres estatais durante seu governo (1993/98) e anunciou em coletiva a imprensa antes de viajar a Brasília que iniciará uma implacável perseguição para revelar os atos corruptos de seu governo e castigar culpados e cúmplices.
Wasmosy aproveitou a sessão ordinária do Senado das quintas-feiras - os ex-presidentes se transformam automaticamente em senadores vitalícios com voz, mas sem voto - para desmentir Cubas, a quem chamou de presidente que sofre uma tremenda pressão dos que não respeitam a lei, referindo-se a Oviedo.
Sem mencionar o general aposentado, seu inimigo radical, a quem insistiu m condenar no ano passado a dez anos de prisão, depois de acusá-lo de uma intentona golpista em abril de 1996, Wasmosy afirmou que Cubas está associado a pessoas que não respeitam a lei, a Constituição e a convivência social.
Durante toda minha administração me submeti e cumpri com todos os mandados da justiça ainda quando muitos de seus resultados me foram desfavoráveis, indicou, depois de chamar de fantasiosa a versão oficial que o destaca como o principal responsável de uma tentativa de derrubar o presidente.
Os senadores pró-Oviedo replicaram duramente sua intervenção e citaram algumas das irregularidades que começaram a ser ventiladas pelo governo anteontem.
O ex-mandatário recebeu a adesão de vários partidários do ditador Alfredo Stroessner e opositores - conjuturalmente aliados contra Cubas - e um deles, o liberal Juan Benítez Florentín, expressou que se o de Wasmosy foi um governo corrupto, foi por culpa de Lino Oviedo.
Porta-vozes governamentais temiam para ontem um golpe parlamentar para tentar a destituição do presidente por ter se negado a acatar uma ordem da Corte Suprema de Justiça que o mandava prender Oviedo.
O ex-presidente, o primeiro eleito democraticamente, em 1993, num país dominado ao longo do presente século por governos autoritários, foi escolhido para o cargo pelo líder da revolta que derrubou o ditador Stroessner, o general Andrés Rodríguez, que terminou naquele ano um governo de transição de quatro anos.
É conhecido por seus inimigos como a cabeça dos barões de Itaipu, identificação atribuida aos engenheiros que dirigiram a construção da represa hidroelétrica paraguaio-brasileira.
Wasmosy é considerado como um dos homens mais ricos do Paraguai, com negócios em todas as esferas da produção, indústria, comércio, meios de comunicação e obras públicas.


