Cards com imagens das vítimas de atentado escandalizam NY
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de novembro de 2002
Giles Hewitt<br>France Presse 
Nova York - O lançamento de cards com imagens das vítimas dos atentados de 11 de setembro está escandalizando Nova York, onde o criador do passatempo é acusado de querer lucrar com a tragédia.
O jogo Heróis do World Trade Center, que começará a ser vendido em meados de dezembro, consta de 202 cards com 170 personagens, todos reais. Um dos lados dos cards mostra o rosto de uma vítima ou sobrevivente e o outro, uma biografia de 300 palavras. Há também 32 cards temáticos, alguns ilustrados com poemas intitulados ''Por que as torres caíram?'' ou ''Quando chora uma criança''.
O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, anunciou estar tentando proibir a venda da coleção, que será comercializada em pacotes de nove figurinhas, a um preço de 2,5 dólares. ''É infame, uma maldade'', disse o prefeito da cidade, onde 2.800 pessoas morreram no 11 de setembro de 2001. ''Não entendo como alguém pode fazer isso. Só pode estar louco'', criticou.
Kingsley Barham, criador do jogo, mora na Flórida e é especialista em cards. Ele se defende: ''Em primeiro lugar, isso beneficia as famílias (...) Pode-se reconhecer as pessoas e, assim, vamos nos lembrar delas, nos daremos conta de quem eram''.
Barham reconhece que a idéia não foi bem recebida pelas famílias das vítimas, mas acredita que, aos poucos, todos vão entender suas intenções. ''Há seis meses, achava que não conseguiria fazer 100 cards com personagens. Mas se eu lançar uma segunda série, poderiam chegar a 500'', garante. As famílias das vítimas estampadas nos cards recebem 8% de royalties.
Cards são uma espécie de figurinha muito popular nos Estados Unidos. Às vezes, tornam-se objeto de colecionadores e alcançam um valor altíssimo, mas o mais frequente é vê-los sendo trocados entre crianças.


