Cardeal pede perdão por omitir pedofilia
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quarta-feira, 17 de março de 2010
<br> Folhapress 
São Paulo - O cardeal Sean Brady da Irlanda pediu perdão ontem por ter escondido casos de abuso sexual de crianças na Igreja Católica e se declarou ''envergonhado'' por não ter defendido os valores que prega. Familiares das vítimas exigiram o afastamento do cardeal Brady, primaz da Irlanda, de suas funções desde que a igreja admitiu que ele havia participado de duas reuniões em 1975, em que duas supostas vítimas de abusos sexuais haviam prometido manter silêncio, a pedido das autoridades eclesiásticas.
''Esta semana, me vi confrontado com um episódio doloroso do meu passado. Ouvi a reação das pessoas a respeito do meu trabalho em eventos ocorridos há 35 anos'', disse o cardeal Brady, na homilia que pronunciou na catedral de Armagh (Irlanda do Norte), no Dia de São Patrício, santo padroeiro da Irlanda.
''Quero dizer a qualquer um que tenha sido machucado pela minha falha que peço desculpas de todo o coração. Também queria pedir desculpas a todos os que se sentem abandonados por mim. Olhando para trás, estou envergonhado de nem sempre ter defendido os valores que prego e nos quais acredito'', acrescentou, segundo um comunicado da Igreja Católica irlandesa divulgado em Dublin. O primaz da Irlanda afirmou ontem que só renunciaria se o papa Bento 16 pedisse.
Segundo a Igreja Católica, Brady participou das duas reuniões de 1975 quando ainda era padre. Nessas reuniões, duas supostas vítimas assinaram compromissos prometendo respeitar a confidencialidade das informações.
As autoridades eclesiásticas investigavam então o padre Brendan Smyth, suspeito em dois casos de abusos. Ele foi detido em 1994 e preso posteriormente por agredir sexualmente 20 crianças ao longo de mais de 40 anos. Ele morreu na prisão.
A Igreja Católica da Irlanda foi criticada por ocultar, segundo relatório de uma investigação oficial publicado em novembro passado, os abusos sexuais cometidos por padres da região de Dublin envolvendo centenas de crianças durante várias décadas.
O documento, de mais de 700 páginas, fala sobre a atitude da hierarquia católica no arcebispado de Dublin entre os anos 1975 a 2004. Acusa, principalmente, quatro arcebispos por não terem denunciado à polícia que sabiam dos abusos sexuais, cometidos a partir dos anos 60.


