Cidade do Vaticano A basílica de São Pedro ficou pequena ontem para receber as centenas de fiéis que prestigiaram a missa solene em memória de João Paulo II, presidida pelo cardeal brasileiro Eugênio de Araújo Sales. O arcebispo emérito do Rio de Janeiro, de 84 anos, celebrou a quinta missa do novenário para João Paulo II diante de mais de 100 cardeais.
''João Paulo II está celebrando esta mesma liturgia com todos os santos na gloriosa presença da Virgem Maria'', assegurou o cardeal em sua homilia, falando em italiano impecável, mas com um inconfundível sotaque brasileiro. Dom Eugênio Sales se tornou assim o primeiro cardeal latino-americano a celebrar uma missa por João Paulo II, no Vaticano, depois de seu funeral.
O arcebispo argentino Leonardo Sandri, substituto da secretaria de Estado, presidirá uma cerimônia idêntica hoje, e o cardeal chileno Jorge Arturo Medina Estévez, prefeito emérito da Congregação para o culto divino, encerrará o novenário no sábado.
Os sermões dos cardeais nestas eucaristias são as únicas palavras pronunciadas por eles publicamente nestes dias, já que juraram guardar silêncio sobre suas reuniões, sob pena de excomunhão. Entre as centenas de fiéis presentes, a missa também foi acompanhada por pessoas próximas ao Papa, como as monjas polonesas que cuidaram de João Paulo II até sua morte e por seu secretário pessoal, monsenhor Stanislaw Dziswisz.
''Atrasei minha viagem de volta (ao Brasil) para assistir à missa de Dom Eugênio. É muito importante que o povo brasileiro também esteja representado no Vaticano'', afirmou María Elisabete Bandeira, de Salvador (Bahia), que passa férias em Roma. Muitos manifestaram o desejo de que o próximo Papa, que será escolhido num Conclave que começa no dia 18, seja ''brasileiro ou pelo menos latino-americano''.
''Em meio a esta procissão de cardeais está nosso futuro papa'', afirmava Marcelo Gomes, um seminarista de São Paulo que estuda em Roma. Mas Ddom Eugênio Sales, que não participará do Conclave por ter mais de 80 anos, preferiu concentrar sua homilia no elogio à figura de João Paulo II e não se referiu em nenhum momento a seu sucessor.
''Foi um Papa que nos ensinou a fidelidade a Jesus Cristo e o respeito à dignidade de todas as pessoas'', disse. Depois da missa, todos os cardeais e as pessoas próximas a João Paulo II desceram à cripta do Vaticano, onde o Papa foi enterrado na sexta-feira, para alguns minutos de oração.
A partir de hoje, o público poderá visitar a sepultura, que certamente se tornará a nova atração do Vaticano.

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