Cardeais são fechados a chave
Cidade do Vaticano - A palavra "conclave", do latim, quer dizer "com chave", em alusão ao fato de que os cardeais são "fechados a chave" para escolher o novo papa. A eleição é realizada segundo a Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis (22/02/1996) do papa João Paulo 2º, e atualizada por Bento 16. Podem votar os cardeais que completaram 80 anos de idade até o início da Sé Vacante - 28 de fevereiro.
Todos os membros do Colégio Cardinalício podem ser eleitos. Quando a eleição começar, os cardeais ficarão alojados na "Casa Santa Marta" uma espécie de hotel que fica dentro do Vaticano. Os quartos são dotados de todo conforto, mas os hóspedes não terão qualquer meio para se comunicar ou tomar conhecimento dos fatos do mundo exterior, como telefone, celular, rádio, televisão e internet. Da Casa Santa Marta, os eleitores poderão se dirigir à Capela Sistina a pé ou a bordo de um ônibus especial do Vaticano.
A votação obedece a um cerimonial: os cardeais eleitores sorteiam três grupos de três: o primeiro recolhe os votos dos enfermos (que ficarão na Casa Marta), outros três se ocuparão da contagem dos votos e, por fim, outra trina controlará o resultado.
Cada eleitor recebe uma cédula branca, na qual expressa sua preferência. Depois de escrever o nome do cardeal escolhido (é proibido votar em si mesmo e revelar o voto), cada eleitor caminha em direção às urnas e, jurando realizar seu próprio dever com honestidade, deposita a cédula. Quanto todos votarem, se faz a contagem.
O resultado é comunicado aos cardeais. Se nenhum candidato obtiver mais dos dois terços dos votos, outra votação é realizada. Pode-se chegar a quatro votações por dia - duas pela manhã e duas à tarde - mas a incineração das cédulas ocorre somente duas vezes.
Se não houver um vencedor, uma fumaça preta avisa os fiéis que o papa ainda não foi escolhido. Caso contrário, a fumaça é branca, graças a um composto químico acrescentado ao braseiro que a exala.
O recém-eleito responde ao vice-decano, d. Giovanni Battista Re, se aceita ou não a decisão do conclave. Se a resposta for afirmativa, responde ainda com qual nome deseja ser chamado. Por fim, o cardeal protodiácono, neste caso o francês Jean-Louis Tauran, anuncia do balcão da Basílica de São Pedro à multidão o famoso "Habemus Papam" (temos Papa).
Até este dia chegar, a mídia se esbalda em imaginar conchavos, rivalidades e desafetos entre os cardeais. Haveria o grupo adepto do Cardeal Decano, Angelo Sodano, em contraste com o candidato apoiado pelo Camerlengo Tarcísio Bertone.
Os progressistas, os reacionários, os pragmáticos. Fala-se de um candidato apontado por Bento 16, que seria o arcebispo de Milão, Angelo Scola. Citam-se como fortes candidatos o húngaro Peter Erdo, o italiano Gianfranco Ravasi, o estadunidense Sean Patrick OMalley, o canadense Marc Ouellet, o filipino Luis Antonio Tagle.
Meras especulações, mas vale a advertência, muito bem expressa em outro dito comum para os italianos: "Chi entra papa, esce cardinale" - quem entra muito cotado para o conclave acaba saindo exatamente como entrou, cardeal.(B.F.)





