Nove dias após ter desaparecido de Freetown, o líder rebelde de Serra Leoa, Foday Sankoh, foi capturado ontem pela manhã por milicianos pró-governistas que dispararam em seu pé, tiraram sua roupa e o entregaram ao governo.
A captura de Sankoh, cuja Frente Revolucionária Unida (FRU) matou, mutilou e aterrorizou civis, provocou uma festa nas ruas da devastada Freetown, onde milhares de pessoas morreram nos oito anos de guerra civil.
A foto de Sankoh prisioneiro era vendida nas ruas a US$ 0,50. Ela foi tirada pelo jovem fotógrafo Mahomoud Sillah, que foi avisado pelo irmão caçula da prisão do líder rebelde. Ele agarrou sua câmera e correu entre a multidão até a picape onde podia ver-se Sankoh sem a camisa.
Altos funcionários da ONU negaram ontem ter qualquer relação com a prisão de Sankoh e manifestaram seu temor pelo impacto que a captura possa ter sobre os capacetes-azuis em poder dos rebeldes serra-leoneses. Poucas horas depois da captura do líder rebelde, mais 80 soldados da ONU foram libertados pelos membros da FRU, que já haviam concordado em libertar entre 30 e 40 capacetes-azuis feridos. Mas o porta-voz da equipe de mediadores da vizinha Libéria, Lewis Brown, afirmou que os rebeldes endureceram um pouco sua posição depois da prisão de Sankoh.
Soldados britânicos, que ajudam na retirada de cidadãos europeus de Serra Leoa, mataram ontem a tiros quatro rebeldes da FRU depois de terem sido atacados, informou o governo da Grã-Bretanha, reiterando que suas tropas não têm autorização para intervir no conflito serra-leonês, mas têm permissão para responder a ataques.
O choque, entre cerca de 40 rebeldes e os pára-quedistas britânicos, ocorreu ao amanhecer em uma estrada perto do aeroporto de Lungi, em Freetown, e deixou uma civil ferida.
Em outro ataque dos rebeldes na terça-feira à noite, um capacete-azul nigeriano e seis soldados serra-leoneses foram mortos em Porto Loko, 40 quilômetros ao norte da capital. ‘‘A FRU atacou nossas posições com morteiros, granadas e artilharia’’, disse o porta-voz da Missão da ONU em Serra Leoa (Minusil), David Wimhurst, acrescentando que o combate durou cerca de duas horas.
Chefes militares de seis países oeste-africanos iniciaram ontem conversações em Abuja, capital da Nigéria, para discutir uma possível opção militar em Serra Leoa. A Nigéria liderou as forças oeste-africanas enviadas a Serra Leoa em 1997 e ajudou a restabelecer o poder ao presidente Ahmad Tejan Kabbah, que havia sido deposto por dissidentes.
As forças oeste-africanas deixaram Serra Leoa após a chegada da força de pacificação da ONU. No entanto, o acordo de paz, assinado em julho, foi rompido no começo do mês por causa de uma disputa sobre o desarmamento rebelde e o sequestro de cerca de 500 capacetes-azuis.

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