O capitão do barco que causou um imenso derramamento de combustível nas Ilhas Galápagos reconheceu ter cometido um erro lamentável ‘‘por excesso de confiança’’, de acordo com seu testemunho, revelado ontem em Puerto Baquerizo. Tarquino Arévalo, de 58 anos, responsável pelo petroleiro equatoriano Jéssica, estava ontem sob tratamento médico devido a uma crise nervosa, apresentando um quadro de violentas dores abdominais, entre outros sintomas, informou-se oficialmente. O capitão foi detido temporariamente, quarta-feira, na base naval deste porto de San Cristóbal, e está proibido de sair da ilha, assim como os outros 12 tripulantes do barco, enquanto é realizada uma investigação naval sumária. Outro tripulante foi levado quarta-feira ao continente devido a um ferimento na perna direita.
A Associated Press teve acesso à ata de declaração sumária de Arévalo, feita há dois dias, na qual relata o sucedido em 16 de janeiro, quando seu barco encalhou enquanto se aproximava de Puerto Baquerizo, no sudoeste da ilha de San Cristóbal, pertencente ao arqiupélago de Galápagos, situado a mil quilômetros da costa sul-americana.
‘‘Lamentavelmente houve excesso de confiança de minha parte, pois conheço a área e deixei de utilizar o radar’’, disse Arévalo em seu testemunho.
Ainda ontem, organismos ecológicos e cientistas concordaram que o derramamento de cerca de 170.000 galões de óleo diesel nas águas do arquipélago causaram ‘‘um impacto limitado’’ em seu ecossistema.
‘‘Tivemos muita sorte, pois as correntes marinhas, os ventos e o sol intenso impediram que o acidente causasse um prejuízo maior’’, disse à AP Fernando Espinoza, diretor da estação Charles Darwin.
O arquipélago de Galápagos ficou famoso no século 19, quando o naturalista Charles Darwin desenvolveu sua teoria da evolução depois de estudar a vida selvagem local.
AmeaçaO governador de Galápagos, Fabián Parra, revelou ontem à imprensa que a mancha negra formada pelo vazamento de 600 toneladas de combustível do navio Jessica, encalhado em frente à ilha de San Cristóbal, ameaçava as praias da ilhota Pinzón.
Com apenas 18 km2, a ilhota fica a cinco milhas a oeste da ilha de Santa Cruz, que foi atingida quarta-feira pela mancha negra. Nela habitam colônias de ‘‘piqueros’’ – aves palmípedes – de patas azuis, leões marinhos e iguanas marinhos e terrestres.
Nas ilhas que formam o arquipélago, a 1.000 km a oeste do Equador, moram 10.000 tartarugas gigantes e uma imensa variedade de fauna e flora únicas na Terra.

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