Monica Yanakiew
Associated Press
De Washington
Grupos religiosos transformam a campanha para as eleições presidenciais de novembro numa batalha entre religiões. Na tentativa de assegurar o voto conservador e garantir a sua candidatura pelo Partido Republicano, o governador do Texas, George Bush, visitou há duas semanas a cristã Universidade Bob Jones, em Greenville, na Carolina do Sul – onde a direita protestante é forte. Perdeu votos de católicos, aos quais acaba de pedir perdão em cartas distribuídas a várias igrejas nos EUA, reproduzidas nas capas dos principais jornais.
A universidade não apenas proíbe o namoro e o casamento entre estudantes de raças diferentes, como critica abertamente os católicos. Bob Jones Jr., filho do fundador, chegou a chamar o papa de ‘‘anticristo’’ e a Igreja Católica de ‘‘culto satânico’’.
Por ter visitado Bob Jones e não ter aproveitado a ocasião para fazer uma dura crítica à política de discriminação racial e religiosa da universidade, Bush ofendeu líderes católicos em estados politicamente mais importantes que a pequena Carolina do Sul. Um deles foi o deputado republicano Peter King, de Nova York, que apoiava o governador do Texas e agora faz campanha por seu adversário, o senador John McCain, do Arizona.
Numa carta endereçada ao cardeal John O’Connor de Nova York, o governador diz estar ‘‘profundamente arrependido’’ por ter causado uma ‘‘ofensa desnecessária’’ com sua visita à Universidade Bob Jones, cujos líderes têm ‘‘sentimentos anticatólicos e preconceito racial’’.
Um em cada três eleitores dos EUA é católico. ‘‘São muitos e estão concentrados nos 10 estados que contribuem com o maior número de membros do colégio eleitoral’’, explicou Michael Novak, do American Enterprise Institute. A lista de Novak inclui Califórnia, Massachusetts, Nova York e Ohio, cujos eleitores votarão no dia 7 para decidir quem querem para candidato dos Partidos Republicano e Democrata. Os outros são Texas e Flórida (governados pelos irmãos George e Jeb Bush), Illinois, Pensilvânia, New Jersey e Michigan.
Juntos, eles têm 255 dos 358 votos do colégio eleitoral, que em novembro escolherá o sucessor do presidente Bill Clinton entre dois finalistas. A disputa pela candidatura democrata já foi praticamente definida: o vice-presidente Al Gore está na frente do ex-senador Bill Bradley, o que lhe permite agora começar a atacar seus adversários republicanos, enquanto eles brigam entre si.
Foi justamente nas prévias do dia 22, em Michigan, que a batalha entre religiões começou. Bush obteve o apoio de Pat Robertson, o fundador da Coalizão Cristã - uma organização de 2 milhões de fiéis conservadores, a maior parte deles das igrejas protestantes, preocupados em proibir o aborto e impedir o casamento entre homosexuais.
Robertson telefonou para os eleitores criticando McCain. Ontem mesmo o senador revidou, comparando-o aos líderes sindicalistas (pelos quais os republicanos não costumam ter simpatia). Além de ser um movimento religioso, a Coalizão Cristã atua como lobby político: imprimiu 70 milhões de guias para explicar aos leitores da Bíblia o que está em jogo nas eleições.

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