Um milhão de pessoas atingidas pela violência e outras tantas afetadas pelo desemprego nos últimos quatro anos são as principais preocupações dos dois candidatos que disputarão, no domingo, o segundo turno das eleições presidenciais colombianas. Em resposta a isso, tanto o candidato do Partido Liberal (oficial), Horacio Serpa, como o opositor conservador, Andrés Pastrana, prometem ‘‘paz e emprego’’.
Terça-feira, em coletivas de imprensa e em resposta aos comunicados dos dois principais grupos guerrilheiros do país, Pastrana e Serpa reiteraram sua promessa de realizar pessoalmente o processo de paz com os rebeldes.
Em pronunciamentos similares, disseram estar dispostos a aceitar as garantias que as guerrilhas pedem para negociar e que passam pela desmilitarização de amplas zonas no sul do país.
Com um conflito armado que causa 6.000 dos 31.000 mortes anuais, tanto rebeldes quanto políticos sabem que os olhos da comunidade internacional estão voltados para a Colômbia.
Os apelos para frear a grave violência já não provém das organizações de direitos humanos e sim dos governos ‘‘amigos’’, que, como os Estados Unidos e a Espanha, expressam claramente que a paz na Colômbia constitui uma prioridade na agenda do continente.
Tanto Serpa como Pastrana utilizam a paz em seus lemas de campanha. Serpa acusa Pastrana de promover políticas ‘‘excludentes’’, que aumentam o clima de conflito social, e o acusa de nunca em sua vida pública ter feito uma tentativa de buscar a paz.
Uma diferença mais radical, na forma, mas não no propósito, diz respeito ao desemprego.
Pastrana anuncia que vai baixar impostos das empresas que gerarem novos empregos, enquanto Serpa promete diminuir a jornada de trabalho de 48 para 40 horas semanais, para gerar ‘‘automaticamente’’ 600.000 vagas.
Mas os analistas consideram que nenhuma das opções é conveniente para a economia, segundo comenta o Instituto Fedesarrollo, em seu mais recente informe trimestral, divulgado ontem.
Fedesarrollo, especializado em temas econômicos, adverte que uma redução de impostos é inconveniente para as frágeis finanças públicas, abatidas por um déficit que supera os 3,8 bilhões de dólares. Também indica que a jornada trabalhista proposta por Serpa aumentaria os gastos, reduzindo as margens dos empresários, atingidos pela desaceleração econômica dos últimos três anos.
Vários grupos de opinião expressam sua preocupação pela ausência de outros temas nas campanhas, como as relações internacionais, a luta contra a pobreza e a delinquência comum.

mockup