Um dia depois dos abraços e das promessas de cordialidade política entre os dois candidatos que passaram para o segundo turno da eleição peruana, Alejandro Toledo e Alan García iniciaram a troca de farpas, com o primeiro sugerindo ao ex-presidente que renuncie à disputa e o segundo acusando Toledo de dar ‘‘conselhos inconstitucionais’’.
Ao mesmo tempo, o presidente do Jurado Nacional de Eleições (JNE) – máximo organismo da Justiça eleitoral do país –, Manuel Sánchez Palacios, fixou a data do segundo turno para 20 de maio.
Os primeiros sinais de animosidade entre Toledo e García surgiram na segunda-feira à noite, poucas horas depois de ele ter ido até a sede do Partido Aprista Peruano (sucessor da tradicional Aliança Popular Revolucionária Americana, Apra) para cumprimentar seu rival pela passagem dele para o segundo turno. Ante a reação negativa dos mercados à passagem de García para o segundo turno – a Bolsa de Lima teve queda recorde na segunda-feira e o valor dos títulos da dívida externa peruana negociados no exterior despencou –, Toledo aconselhou o rival a desistir da disputa pela presidência para reduzir as incertezas.
‘‘Eu recomendaria a ele (Toledo) que não tente chegar ao poder com esses conselhos inconstitucionais porque o povo saberá sancionar essas atitudes nas urnas’’, declarou García ontem de manhã, numa entrevista a jornalistas estrangeiros. ‘‘Diria que não pode cair no desespero e na precipitação aquele que foi o protagonista da agitação antifujimorista, pois ser ativista não é a mesma coisa que ser estadista.’’
Com 92,25% dos votos do primeiro turno da eleição de domingo apurados, Toledo mantinha a liderança com 36,56% dos votos. García obtinha 26,01% e a terceira colocada, a advogada direitista Lourdes Flores, 23,92%. Lourdes já reconheceu a impossibilidade de conquistar votos suficientes para passar García e chegar ao segundo turno mas tem seu apoio muito disputado pelos dois candidatos mais bem votados.

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