Abalados por quatro meses de rebelião palestina, os israelenses elegem, terça-feira, seu novo primeiro-ministro, que, segundo as pesquisas, deve ser o líder da direita Ariel Sharon.
Apesar de todos os esforços, o atual primeiro-ministro, Ehud Barak, não conseguiu reduzir a vantagem de Sharon na corrida eleitoral, e continua 20 pontos percentuais atrás do líder da direita, segundo pesquisas publicadas sexta-feira.
‘‘Não se trata de uma eleição de Sharon, mas da rejeição a Barak, ao acordo de Oslo (realizado em 1993 sobre a autonomia palestina). É uma reação ante a violência e o terrorismo da Intifada’’, disse à AFP o analista israelense Gerald Steinberg, referindo-se à atual situação de Barak, eleito com grande vantagem há menos de dois anos.
Barak, que disse querer fazer destas eleições um referendum sobre a paz com os palestinos, não hesitou em empregar a estratégia do medo para afastar os eleitores de Sharon, lembrando seu passado. Entretanto, o recurso não deu certo.
Depois de ter afirmado primeiro que não havia diferença entre ambos os políticos, os palestinos finalmente optaram por Barak e convocaram abertamente a comunidade árabe-israelense, cerca de 13% do eleitorado, a votar no trabalhista.
Não é que os palestinos tenham esquecido os 300 mortos desde o início da Intifada em dezembro de 2000. Eles simplesmente reconhecem que Barak é a ‘‘menos pior’’ das opções.
Sharon é considerado em todo mundo árabe como um ‘‘criminoso de guerra’’, depois do massacre de centenas de refugiados nos acampamentos de Sabra e Shatila, em Beirute, por uma milícia cristã aliada de Israel durante a invasão do Líbano em 1982.
O líder do Likud (principal partido da direita israelense), realizou uma campanha sob o lema da paz com palestinos, mas não ocultou sua intenção de enterrar os acordos de Oslo e excluiu totalmente uma nova retirada israelense dos territórios ocupados, assim como o desmantelamento de qualquer colônia judia.
O presidente palestino Yasser Arafat acredita que a vitória de Sharon seria um verdadeiro desastre e um dos seus negociadores, Saeb Erakat, classifica o direitista como um ‘‘manual de instruções de guerra’’.
O pleito será uma novidade em Israel porque será a primeira vez que os 4,5 milhões de eleitores elegerão o primeiro-ministro sem que o Parlamento tenha sido renovado. Por causa desta situação é que o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, desistiu de concorrer, abrindo espaço para seu companheiro de partido, Ariel Sharon.

mockup