Os dois principais candidatos às eleições gerais italianas de domingo, o líder conservador Silvio Berlusconi e o representante da esquerda Francesco Rutelli, tentaram ontem, último dia da campanha, conquistar o voto dos indecisos – cerca de 25% dos mais de 49 milhões de eleitores do país.
Os últimos resultados das pesquisas – divulgados há duas semanas, conforme exige a legislação eleitoral italiana – davam vantagem de quatro pontos percentuais para Berlusconi sobre Rutelli – o que torna decisiva a participação dos eleitores indecisos.
Mas tanto Berlusconi quanto Rutelli cantam vitória. ‘‘Teremos uma enxurrada de votos, que sepultará nossos adversários e detratores’’, disse o líder direitista, citando pesquisas particulares feitas por sua coligação – ‘‘Casa das Liberdades’’. Berlusconi escolheu Roma para encerrar os comícios.
Atacando os ‘‘flancos frágeis’’ do rival (pendências judiciais e promessas não cumpridas quando governou a Itália durante sete meses em 1994), Rutelli, apoiado pela frente ‘‘Olivo’’ (Oliveira), de centro-esquerda, manifestou-se otimista, ressaltando que ganhará na ‘‘última volta’’ como o ex-primeiro-ministro Romano Prodi em 1996, que venceu ‘‘apesar de sair em desvantagem nas pesquisas’’.
O candidato esquerdista lançou de Nápoles uma advertência: ‘‘Berlusconi é um perigo. Nossa Itália é a de todos. A dele é a do privilégio, das vantagens de poucos, da fiscalização corporativa e da selva sanitária.’’
O líder direitista não deixou por menos, repetindo um de seus argumentos prediletos: ‘‘A esquerda converteu a Itália no farolzinho vermelho da Europa. Por isso, preparamos um plano de governo articulado, que será uma verdadeira revolução.’’
Fora as duas grandes coligações, Casa das Liberdades e Olivo, apenas o Partido da Refundação Comunista (PRC), de Fausto Bertinotti, tem chances, segundo as pesquisas.

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