Uncas Fernández
France Presse
De Montevidéu
Tabaré Vázquez e Jorge Batlle começaram ontem a busca de apoios para a rodada decisiva a 28 de novembro. As eleições celebradas domingo no Uruguai delinearam um novo mapa político no país, onde pela primeira vez na história a esquerda se transformou na principal força.
Por outra parte, os uruguaios enfrentarão um inédito segundo turno eleitoral para eleger presidente, por causa de uma nova lei aprovada em 1996, que obriga os candidatos a uma prática de alianças e acordos eleitorais até então desconhecida no país.
Vázquez – que pelo antigo sistema eleitoral teria sido eleito presidente neste domingo – assegurou em coletiva à imprensa ontem que fará alianças sobre ‘‘acordos programáticos’’ e não ‘‘por partilha de cargos’’. Entre as forças com as quais poderia chegar a acordos de governo mencionou o Novo Espaço ‘‘que é de esquerda e progressista’’, e alguns setores do Partido Nacional e do Partido Colorado. Na sua opinião pessoal, o Encontro Progressista deverá garantir três pastas no gabinete, que considerou ‘‘chaves’’, como Fazenda, Educação e Cultura, e Defesa.
O Partido Colorado mantém o caráter confidencial das gestões que impulsionam Batlle. O candidato anunciou que falaria primeiro com as autoridades do Partido Nacional, com quem os colorados já formaram uma coalizão durante o atual governo do presidente Julio Sanguinetti, depois com seus setores, e também com o Novo Espaço.
As autoridades do Partido Nacional se reunirão hoje para definir sua posição. O líder da facção minoritária do nacionalismo, Juan Andrés Ramírez, derrotado por Lacalle nas primárias, anunciou que nos próximos dias conversará tanto com o Partido Colorado como com a esquerda, sem revelar seus propósitos.
O Novo Espaço aguarda contatos com Vázquez e Batlle. Segundo o deputado Gabriel Courtoisie, o Novo Espaço ‘‘será de agora em diante uma ponte entre dois modelos de país’’, o esquerdista de Vázquez e o liberal de Batlle.

A ESQUERDA CRESCE
A esquerda uruguaia, coaligada desde 1971 na Frente Ampla (FA), tornou-se nas eleições de domingo a principal força política do país com 38,51% dos votos, segundo os resultados oficiais. Desde 1971, quando conseguiu 18,23% do total, a esquerda vem crescendo no país:
1971 - 304.275 votos - 18,23% do total de 1.664.119
1984 - 401,104 votos - 21,26% de 1.886.362
1989 - 418.403 votos - 22,30% de 1.970.586
1994 - 621.226 votos - 30,61% de 2.092.281
1999 - 854.170 votos - 38,51% de 2.218.035 .

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