Candidato é acusado de usar o ETA para vencer o pleito Quando os socialistas acusaram o presidente do governo espanhol José María Aznar de utilizar o ‘‘sangue’’ derramado pela ETA para ganhar as eleições, a campanha eleitoral espanhola chegou a seu ponto culminante, às vésperas da votação de hoje, depois de semanas de uma campanha morna. Aznar se dedica ‘‘ao comércio de sangue’’ para ‘‘ganhar votos’’, afirmou um dos principais dirigentes do PSOE, José Bono, que respondia assim ao candidato do Partido Popular (PP) à sua sucessão, que havia denunciado a ‘‘ambiguidade’’ da oposição socialista em relação à organização separatista basca armada (ETA). A campanha havia passado até então a impressão de que não esquentaria. Um exemplo são os cartazes dos dois lados, espalhados pelas cidades espanholas. Num deles, aparece a foto de Aznar, com um lacônico ‘‘Vamos além’’, em outro está o socialista Joaquín Almunia, com uma fria legenda - ‘‘O próximo’’. No cartaz do candidato Francisco Frutos, da Esquerda Unida (IU), aparece apenas um ‘‘Somos necessários’’. Um estudo de especialistas em Direito Eleitoral da Universidade de San Pablo CEU analisou como as imagens chegavam aos eleitores. Frutos ganhou a imagem de um homem ‘‘de rosto frio’’, a de ‘‘um funcionário com sinais antiburgueses antiquados’’. O de Almunia criou a idéia de um homem ‘‘tranquilo, confiante, prático, e um toque burlesco’’, e o de Aznar provocou a impressão de um homem dotado de grande autocontrole, ‘‘reservado e reflexivo’’. Na propaganda eleitoral foi diferente. Com uma música de fundo parecida com a do filme ‘‘Psicose’’, de Hitchcock, os socialistas mostraram um Aznar de cenho franzido, rosto sério e depreciativo. Uma voz em ‘‘off’’ afirmava: ‘‘Não podemos continuar com um presidente de direita que mente, que está longe dos interesses da maioria, que só quer aumentar seu poder enquanto a Espanha se enfraquece’’. O vídeo contrapôs sequências de Almunia em comícios, sorridente e abraçando várias pessoas: ‘‘Chegou o momento de abrir uma nova etapa com Joaquín Almunia’’, dizia o ‘‘off’’. Aznar tentou se apresentar sempre como um homem ‘‘racional’’, ‘‘razoável’’ e com ‘‘objetivos claros’’, afirmando que o PSOE e sua aliança com o IU não passavam de uma ‘‘pirueta eleitoral’’. Almunia dizia que o candidato do PP ‘‘crê que nós, espanhóis, somos gente com dinheiro, mas sem idéias, sem coração, sem valores a defender’’, prometendo ao mesmo tempo uma ‘‘mínima repartição das riquezas’’.

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