O pressionado primeiro-ministro Ehud Barak sofreu ontem novas humilhações no parlamento, tendo sobrevivido por estreita margem a uma moção de censura, o candidato de seu partido à Presidência de Israel, o Prêmio Nobel da Paz Shimon Peres, foi derrotado por um político relativamente desconhecido. Peres, um ex-primeiro-ministro, foi superado por Moshé Katsav, um parlamentar moderado do oposicionista Partido Likud, numa derrota surpreendente.
Barak tem agora três meses inteiros para concluir um acordo de paz com os palestinos sem ter de enfrentar desafios no parlamento. Ontem foi o último dia para que a oposição apresentasse uma moção de censura antes do encerramento, amanhã, das sessões de verão (boreal) do Knesset.
O prazo final para um acordo de paz é 13 de setembro. Barak tem dito que está determinado a levar à frente as negociações apesar da inconclusiva cúpula do Oriente Médio em Camp David.
Barak afirmou ao plenário que apesar de não contar agora com uma maioria no parlamento para referendar um acordo de paz, ele está confiante de que a situação irá mudar uma vez que um acordo seja apresentado ao povo israelense. Há muito ele mantém que o povo de Israel o apóia, apesar de seus problemas políticos.
Com a voz alterada, Barak acusou a oposição e desertores de sua coalizão de perseguirem interesses menores. ‘‘Volto-me a cada um e a todos vocês e digo, ‘Ergam-se acima das políticas estreitas a fim de trazer a paz para Israel’’’, conclamou Barak aos legisladores antes da votação da moção de censura.
O resultado foi 50 votos a favor e 50 contra – ou seja, 11 votos a menos do que a oposição precisava para forçar novas eleições. Peres era considerado uma barbada e era o franco-favorito do público israelense, segundo pesquisas informais de opinião.
O estadista de 76 anos que liderou uma relutante nação nos acordos de paz de 1993 com os palestinos ficou visivelmente abalado com sua derrota. Na segunda e última rodada de votação, ele recebeu apenas 57 votos, contra os 63 dados a Katsav, que começou sua carreira política aos 24 anos como prefeito de uma pequena e pobre cidade desértica.
Peres perdeu quatro das cinco eleições que disputou para primeiro-ministro. Parlamentares falcões disseram que a eleição presidencial foi um protesto contra as políticas de paz de Barak, e que eles não acreditam que seu governo irá sobreviver por muito tempo.
Katsav, o jubilante vencedor, prometeu promover a unidade nacional, uma tarefa difícil numa nação perturbada por divisões entre ricos e pobres, religiosos e seculares, judeus e árabes, novos imigrantes e antigos residentes.
Como membro do direitista Likud, Katsav se opõe a concessões maiores aos palestinos, como a criação de um Estado palestino. Ele foi eleito para o parlamento em 1977 e ascendeu ao cargo de ministro do Turismo e vice-primeiro-ministro. Nascido no Irã, ele se apresenta como representante dos israelenses oriundos do Oriente Médio.
Peres contava com o apoio de muitos dos 22 deputados religiosos. Quando foi primeiro-ministro, seus governos foram bastante generosos com os ultra-ordotoxos, um setor cronicamente empobrecido da sociedade israelense.
Entretanto, membros do ultra-ortodoxo Partido Shas disseram que todos os 17 legisladores do grupo apoiaram Katsav. Eles afirmaram que no domingo, o líder espiritual do Shas, o nonagenário rabino Yitzhak Kadouri, teve uma visão de que Katsav era protegido dos céus. Assessores de Kadouri contactaram quase todos os deputados e pediram a eles para votar em Katsav.

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