Campo de refugiados no Líbano está à beira de um colapso
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terça-feira, 29 de maio de 2007
Salim Yassine<br>France Presse 
Baddaoui - ''Trinta e seis milhões de pessoas em dois km2. A condição sanitária do campo vai se tornar insuportável!'' Esta constatação de um médico palestino da Cruz Vermelha dá uma idéia da miséria em Baddaoui, no Líbano, campo que terá o seu número de abrigados duplicado pela chegada dos refugiados de Nahr al-Bared.
Na entrada principal do campo de refugiados, observa-se movimentação indescritível de famílias circulando o dia inteiro. As viaturas da Cruz Vermelha que distribuem alimentos e remédios tentam abrir passagem no meio da multidão com buzinas, trazendo atrás deles uma nuvem de gente.
Samar Fedda, de 19 anos, está instalado com seu pai, sua mãe e seus três irmãos em um colchão no canto de uma sala de aula da escola da Agência da ONU para ajuda de refugiados palestinos (UNRWA). Três famílias, mais de vinte pessoas, dividem todos os espaços desta sala de aula de 50 m2, onde o cheiro de mofo se espalha.
Segundo a UNRWA, Baddaoui, situado no norte do Líbano, tem atualmente mais de 16 mil refugiados, aos quais vão se somar outros 20 mil vindos do campo vizinho de Nahr al-Bared.
Os refugiados que estão para chegar fogem dos combates entre o Fatah al-Islam e o exército libanês os ameaça. ''O destino dos palestinos é ver seu espaço vital se encolher continuamente. Em Nahr al-Bared, vivíamos em três cômodos, com vista para o mar. Aqui, o ar é irrespirável'', afirmou Samar.
''Existem vasos sanitários para homens e outros para as mulheres, mas o estado do banheiro masculino é insuportável'', afirma Nasser, seu irmão. Segundo o Fundo das Nações Unidas para Infância, a UNICEF, 5 mil pessoas vão viver, a partir de agora, neste prédio de concreto de cinco andares, destinado antes a uma escola, com uma área de 2 mil m2.
À noite, a distribuição dos alimentos é feita ''no avanço''. As mães de famílias com seus filhos no colo tentam pegar no ar pequenos sacos que contém uma parca refeição.
Uma jovem voluntária da Cruz Vermelha agita uma bolsa vazia diante da multidão. ''Vocês vejam. Não tem mais nada agora. É preciso esperar a outra distribuição'', gritava ela, enquanto se ouvia clamores irritados.
Um soldado morreu ontem, no nono dia de combates esporádicos entre o Exército do Líbano e os islamitas do Fatah al-Islam entrincheirados no campo de refugiados palestinos de Nahr al-Bared. Milhares de civis estão encurralados em meio ao fogo cruzado.


