Campanhas contra fumo sofreram boicote das indústrias de tabaco
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de agosto de 2000
France Presse De Genebra 
As gigantes do tabaco combateram durante anos, por meio de uma estratégia bem elaborada e financiada, os esforços da Organização Mundial de Saúde (OMS) para reduzir o consumo de tabaco no mundo, segundo um relatório oficial publicado na última quarta-feira.
Documentos internos provenientes das próprias companhias mostram como as empresas tentaram durante anos desacreditar e impedir o trabalho desta agência das Nações Unidas, conta o relatório.
As tentativas foram elaboradas, bem financiadas, sofisticadas e geralmente invisíveis, explica a introdução do documento.
O relatório foi resultado da investigação de um comitê internacional formado pela OMS, sob o comando do diretor do Escritório Federal Suíço de Saúde, Thomas Zeltner.
A equipe, ajudada por investigadores, reuniu e revisou documentos internos de várias companhias de tabaco, que eram confidenciais, mas passaram ao domínio público após uma série de processos contra a indústria do setor nos Estados Unidos.
O relatório é publicado a poucos meses de uma série de audiências públicas, em outubro que vem, onde as empresas se verão obrigadas a aceitar uma estratégia global para o controle do consumo de tabaco.
O documento mostra como as companhias desenvolveram e mantiveram relações profissionais com membros da OMS, consultores e conselheiros, para tentar influenciar as atividades da agência. O pior é que as gigantes do tabaco chegaram a introduzir seus próprios consultores em cargos de responsabilidade na OMS, para que defendessem os objetivos das empresas, diz o relatório.
Os especialistas ressaltam como as empresas tentaram utilizar outras agências da ONU para conseguir informações sobre o programa de controle de tabaco da OMS.
A indústria do tabaco tentou, por exemplo, influenciar a Organização das Nações Unidas Para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e convencê-la a se pronunciar contra as políticas de controle da OMS, além de reafirmar a importância econômica do tabaco, sem levar em conta as consequências para a saúde.
Questionado sobre quanto as gigantes do tabaco teriam pago a funcionários da OMS, para que servissem aos seus propósitos, Zeltner disse que não era capaz de dar uma cifra. A única coisa que sabemos, a partir dos documentos, é que houve um mínimo de dois milhões de dólares, mas não podemos dizer se (a cifra total) é muito maior, explicou.
A secretaria da OMS estudará a partir de agora se dará início a ações administrativas ou legais contra a indústria do tabaco, acrescentou Zeltner.
Diante da divulgação do relatório, a fabricante de cigarros Philips Morris International desmentiu as acusações de boicote à OMS.


