Camp David deixa eleição em Israel em segundo plano
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segunda-feira, 24 de julho de 2000
Associated Press De Jerusalém 
O ex-primeiro-ministro Shimon Peres e Moshe Katzav, que já foi candidato à liderança do direitista Likud, foram ontem indicados como candidatos à presidência, numa cerimônia ofuscada pela preocupação dos políticos em relação à evolução das negociações de paz em Camp David.
O porta-voz do Knesset, o Parlamento israelense, Avraham Burg, anunciou formalmente os candidatos dos dois principais partidos: Peres, de 77 anos, pela coalizão Um Só Israel do primeiro-ministro Ehud Barak, e Katsav, de 54, pelo Likud.
A eleição, limitada aos 120 membros do Parlamento, está marcada para 31 de julho.
Se as eleições fossem diretas, por voto popular, Peres, laureado com o prêmio Nobel da Paz e com larga experiência e realizações marcantes durante os 52 anos de história de Israel, venceria facilmente, indicam as pesquisas de opinião.
A Peres são creditados o controle da inflação e o final da suja guerra do Líbano durante seu mandato de primeiro-ministro, entre 1984 e 1986. Ele também foi primeiro-ministro interino após o assassinato de Yitzhak Rabin em 1995, perdendo o posto para Benjamin Netanyahu por estreita margem nas eleições de 1996.
No entanto, a coalizão governista perdeu a maioria no Knesset e muitos parlamentares se opõem aos acordos de Oslo com os palestinos, dos quais Peres foi um dos arquitetos. Três partidos deixaram o governo às vésperas da partida de Barak para Camp David na semana passada.
Mesmo assim, Peres tem sido considerado como favorito nas eleições presidenciais. Katsav, que serviu os governos do Likud em cargos secundários, não tem reputação internacional e tem dito que, se for eleito, irá evitar questões políticas, devotando-se a manter a unidade interna de Israel.
Quando era ministro dos Transportes, Katsav foi o último dos quatro, nas eleições primárias do Likud em 1993, a apoiar Netanyahu para a liderança do partido. Ele não conseguiu formar um seguidor dentro da comunidade iraniana judia, da qual é representante.
Se as conversações em Camp David prosseguirem até 31 de julho, Peres perderá os votos de Barak e dos outros ministros e parlamentares que o acompanham nos EUA; Burg, o presidente do Legislativo, rejeitou todas as sugestões de adiar a votação.
Os analistas acreditam que o fiel da balança das eleições, como tem sido em outras votações cruciais, será o Shas, um partido religioso que se retirou do governo antes de Camp David. Com 17 cadeiras, o Shas é o terceiro partido do Parlamento.
Peres sempre manteve relações cordiais com os líderes do Shas, mas o partido se indispôs com Barak por causa dos fundos para as escolas religiosas. Só que o Shas também está furioso com o Likud, que não apoiou em primeira votação um projeto de lei que legalizaria a tradição de isentar os seminaristas religiosos do serviço militar. O Shas ainda vai anunciar sua decisão sobre o candidato em que seus membros deverão votar.


