Caminhoneiros não obtêm acordo na França
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quinta-feira, 07 de setembro de 2000
Agência Estado De Paris 
A decisão do governo de interromper as negociações com os caminhoneiros que bloqueiam as refinarias e depósitos de combustível na França acabou obrigando os três sindicatos da categoria a moderar suas reivindicações, tornando-as mais flexíveis e abrindo a perspectiva para a solução da crise. Isso apesar da adesão ao movimento de numerosas outras categorias , entre elas a dos motoristas de táxis, ônibus de turismo, de ambulâncias, construção civil, mas principalmente dos agricultores. Eles utilizam seus tratores e outras máquinas agrícolas para ajudar a manter esse bloqueio que provoca forte penúria em várias regiões do país.
Em Lyon e Marselha, mais de 90% dos postos estão desabastecidos e os que ainda mantêm reservas de diesel e gasolina foram requisitados para as urgências.
Durante todo o dia de ontem, os três sindicatos de caminhoneiros voltaram à mesa de negociações buscando concluir um acordo sobre a queda dos preços do diesel. Em caso de novo malogro, havia a possibilidade de o governo usar a força para garantir o abastecimento do país. Ela foi aventada pelo primeiro secretário do Partido Socialista, François Holande. Isso já havia ocorrido em 1992 durante um movimento semelhante, quando caminhoneiros fizeram um bloqueio que durou uma semana. Esse é o sexto conflito desse tipo nos últimos 10 anos.
Os franceses moradores nas fronteiras com a Suíça, Bélgica, Luxemburgo e Alemanha têm se abastecido em postos instalados nesses países, responsáveis por enormes filas nos postos fronteiriços, exigindo horas de paciência dos motoristas. Paris, por enquanto, é uma exceção, onde 50% dos postos estão sendo reabastecidos, graças à proteção policial às refinarias das vizinhanças. Até o início da noite de hoje, 102 refinarias e depósitos estavam bloqueados pelos caminhoneiros e agricultores. Os aeroportos de Lyon, Nantes, e Toulouse tiveram que cancelar vários vôos.
Também os agricultores estiveram reunidos com o ministro da Agricultura, Jean Glavany, mas os resultados foram nulos. Ao deixar o gabinete do ministro, o presidente da Federação da Agricultura, Jean Luc Guyau, excluiu toda possibilidade de os agricultores abandonarem os bloqueios nas refinarias. Paralelamente, uma greve por melhoria salarial está sendo anunciada para os próximos dias na SNCF, a rede ferroviária francesa. Na verdade, o movimento se espalha para todos os setores diretamente dependentes de derivados de petróleo.
Ao mesmo tempo, 4 mil táxis fizeram operação tartaruga a partir dos aeroportos de Roissy e Orly até o centro do Paris, prejudicando fortemente o tráfego da capital. Há muitos anos eles não organizavam um movimento de tal envergadura. Eles resolveram celebrar o 86º aniversário da Batalha do Marne, quando 1 mil foram mobilizados para transportar 10 mil soldados de infantaria para Champs de Mars, a caminho da frente de combate, em 7 de setembro de 1914. Ontem, os taxistas puderam convergir para esse mesmo local, repetindo uma iniciativa com forte teor histórico.


