Camboja procura pistas de genocídio na ilha Koh Phal
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sábado, 09 de setembro de 2000
Chris Fontaine Associated Press De Koh Phal 
A vila de Koh Phal apresenta uma imagem de cartão- postal: agricultores sorridentes, crianças alegres, riqueza tropical. Pode conter também evidências de um caso de genocídio. Koh Phal tem um passado negro e terrível, de massacres e valas comuns, que continua vivo na memória de seu povo.
O Camboja nunca poderá recuperar o que perdeu para o sanguinário Khmer Vermelho, que foi responsável pela morte de cerca de 1,7 milhão de pessoas quando chegou ao poder no final da década de 70.
Koh Phal, porém, pode pelo menos ter a satisfação de tomar parte na realização de justiça para as vítimas, se o Khmer Vermelho for algum dia julgado.
O governo cambojano e as Nações Unidas concordaram com uma fórmula para o julgamento, mas nenhuma data foi ainda determinada. Ela precisa ser aprovada pelo parlamento e há preocupações de que ex-membros do Khmer Vermelho, hoje parte do governo, estejam tentando adiar o processo.
Os chams têm coexistido tranquilamente com a maioria budista khmer que domina a cultura, a sociedade e a política. Os chams representam 2% da população de 11 milhões de cambojanos.
O Khmer Vermelho foi amistoso com os chams durante da guerra civil contra o regime do Phnom Penh, apoiado pelos Estados Unidos. Mas logo depois de assumir o poder em 1975, difundiu a idéia de que o culto religioso não tinha lugar sob o novo regime comunista.
O ex-chefe da vila de Koh Phal, Res Tor, lembra da ordem brusca que recebeu: os chams deveriam abandonar suas tradições, parar de rezar em direção a Meca, cortar seus tradicionais cabelos longos, casar-se com khmers e até mesmo comer carne de porco, um grave pecado para os muçulmanos.
Ele contou que quando Koh Phal recusou-se a cumprir as ordens, os desarmados aldeões foram cercados e bombardeados por três dias seguidos. As pessoas que tentaram escapar foram assassinadas no que ficaram conhecidos como levantes chams.
Porque os habitantes de Koh Phal resistiram à idéia de desistir de suas religião e de suas práticas culturais, eles tornaram-se reacionários pela constituição do Khmer Vermelho, sujos no que diz respeito à moral social, habitantes não desejados que deviam ser esmagados, diz um recente relatório sobre a vila feito pelo Centro de Documentação do Camboja, que investiga as atrocidades do Khmer Vermelho.
As pessoas estavam aterrorizadas, em campo aberto e sem lugar para se esconderem, lembra-se Res Tort. Cerca de mil dos 1.600 habitantes da vila desapareceram, diz ele.
Os passageiros, chams, chineses étnicos e khmers eram todos desembarcados na ilha mas nenhum deles jamais retornou. Havia milhares deles, relembra Ses Sos, um pescador. Eu ouvia gritos e choro por volta das 21 horas ou 22 horas. Eram os choros de crianças e adultos.


