Câmara pede impeachment de Estrada
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terça-feira, 14 de novembro de 2000
Agência Estado De Manila 
A Câmara dos Deputados das Filipinas enviou ontem ao Senado um processo político contra o presidente Joseph Estrada, acusado de receber milhões de dólares em subornos do jogo clandestino. É a primeira vez que isso acontece na história do país. Não houve votação na Câmara, como era esperado. O presidente da casa, Manuel Villar, afirmou que isso não fora necessário porque o pedido de abertura de impeachment continha a assinatura de um terço dos congressistas.
Antes de entrar na Câmara para a sessão especial, deputados de oposição rezaram e acenderam velas próximo a uma bandeira filipina. De acordo com analistas políticos, Estrada conta apenas com o apoio mínimo para se manter no cargo. Sua impugnação tem de ser aprovada por dois terços dos 24 senadores (duas cadeiras do Senado estão vagas). Entretanto, alguns partidários do presidente afirmaram que apelariam da decisão, mas o porta-voz presidencial, Ricardo Puno disse, por sua vez, que o governo não tentará evitar o julgamento.
O processo de impeachment poderá se estender por vários meses. Por este motivo, muitos oposicionistas estão solicitando a renúncia de Estrada para impedir que a crise econômica do país piore ainda mais.
Pelo menos quatro presidentes filipinos, inclusive o ex-ditador Ferdinand Marcos, foram objetos de tentativa de julgamento político, mas nenhum caso havia sido enviado ao Senado. Na semana passada, o presidente do Senado, Franklin Drilon, ordenou que fosse preparado um regulamento para o impeachment, utilizando-se como modelo o do presidente norte-americano, Bill Clinton.
O presidente, um ex-astro do cinema, é acusado de ter recebido pelo menos US$ 4 milhões de chefões do crime organizado ao longo dos últimos dois anos, para não reprimir a organização de uma loteria ilegal, chamada de juenteng. Estrada é também acusado de receber US$ 20 milhões no processo de venda do controle acionário da principal companhia telefônica filipina.


