A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, visando punir as Nações Unidas, aprovou ontem a suspensão do pagamento de dívidas dos Estados Unidos com as Nações Unidas até que o país volte a fazer parte da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Líderes republicanos lideraram a iniciativa apesar de objeções da administração Bush.
A medida aprovada por 252 votos a 165 permite o pagamento de uma dívida de US$ 582 milhões mas suspende a entrega de outros US$ 244 milhões até que o país volte aos painel de direitos humanos.
‘‘Acho que existe uma injustiça que deve ser tratada’’, disse o presidente da Câmara, Dennis Hastert, referindo-se à exclusão dos EUA do painel. A comissão ainda conta entre seus membros com o Sudão, China e Líbia – governos que Hastert chamou de ‘‘alguns dos maiores perpetradores de abusos dos direitos humanos do mundo’’.
A Câmara, debatendo o orçamento do Departamento de Estado para 2002 e 2003, também votou por manter os Estados Unidos fora do Tribunal Criminal Internacional.
Muitos legisladores, indignados com a exclusão dos EUA da comissão de direitos humanos, queriam bloquear todos os pagamentos à ONU.
Numa solução de compromisso, o presidente da Comissão de Relações Internacionais, deputado Henry Hyde e o deputado Tom Lantos, da Califórnia, sugeriram uma emenda que permitia o pagamento de US$ 582 milhões mas congelava adicionais US$ 244 milhões devidos até que os Estados Unidos voltem à comissão.
A emenda ‘‘irá enviar um claro sinal para os governos que não ficaram ao lado dos EUA na votação na ONU’’, disse o deputado Lincoln Diaz-Balart.
Mas a deputada Carolyn Maloney se opôs à emenda e defendeu a posição da administração Bush de que sua aprovação ‘‘seria extremamente danosa’’.
As Nações Unidas ‘‘mantiveram seu lado no acordo’’ alcançado em 1999 pelo qual os Estados Unidos pagariam suas dívidas e a ONU reduziria a cota dos EUA e seus gastos com forças de manutenção da paz, disse Maloney.
Na Casa Branca, o porta-voz Ari Fleischer disse que apesar de os Estados Unidos estarem desapontados com a perda do assento na comissão, o presidente George W. Bush ‘‘acredita firmemente que esta questão não deveria ser vinculada ao pagamento de nossas cotas à ONU e a outras organizações internacionais’’.

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