Câmara dos EUA aprova projeto que substitui Obamacare
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quinta-feira, 04 de maio de 2017
Marcos Augusto Gonçalves<br>Folhapress 

Nova York Em uma votação apertada, a Câmara dos Estados Unidos aprovou, nesta quinta-feira (4), um novo projeto para revogar e reformular o Obamacare como ficou conhecida a lei sancionada em 2010 por Barack Obama para ampliar o alcance do sistema público de saúde. A matéria teve 217 votos favoráveis e 213 contrários e agora deve ser apreciada pelo Senado, onde os republicanos têm maioria estreita.
A proposta de substituição do plano de saúde instituído por Obama era uma das principais promessas de campanha de Donald Trump e a vitória desta quinta-feira deixa no ar uma série de incertezas sobre as consequências práticas das novas regras, mas tem forte significado político. Ao longo dos últimos sete anos, os republicanos atacaram o plano democrata de maneira implacável, pregando a urgente necessidade de derrubá-lo.
Durante a campanha presidencial, Trump insistiu no tema, assegurando que se vencesse as eleições aprovaria sem demora uma nova legislação, mas desde sua posse, em 20 de janeiro, o Partido Republicano tem dado mostras de desarticulação e despreparo para cumprir a promessa apesar de ser maioria no Congresso.

A primeira tentativa de reformulação do Obamacare foi apresentada em março, mas esbarrou na oposição de setores ultraconservadores do partido, que pregavam uma solução de mercado sem subsídios e amparos estatais. Entre os parlamentares moderados houve também quem resistisse ao projeto temendo a perda de apoio de eleitores prejudicados pelas novas regras. O projeto, costurado pelo presidente da Câmara, Paul Ryann, acabou sendo retirado antes de ir a plenário, impondo uma ruidosa derrota a Trump e aos republicanos.
A nova versão, agora aprovada, esteve por naufragar durante a semana por não dar garantias de que destinaria recursos para o tratamento de pacientes com doenças pré-existentes.
O assunto tornou-se mais sensível quando Jimmy Kimmel, comediante e apresentador de TV, fez uma emocionada defesa do Obamacare ao descobrir que seu filho recém-nascido sofria de uma doença cardíaca congênita. Ele lembrou que antes da lei sancionada pelo presidente democrata havia uma grande chance de um adulto com a doença de seu filho não conseguir um plano de saúde - por tratar-se de um problema diagnosticado desde o nascimento.
Muitos republicanos ameaçaram abandonar o barco até que o deputado Fred Upton apresentou uma emenda que garante um aporte de US$ 8 bilhões para manter nos próximos anos a assistência para portadores de doenças pré-existentes.
Não está claro, contudo, se os recursos serão suficientes - democratas e muitos especialistas dizem que não. Tampouco sabe-se ao certo quais serão os impactos do projeto, caso transforme-se em lei.
A votação foi organizada a toque de caixa para garantir uma vitória expressiva ao governo. Sob protestos, a maioria adotou procedimentos excepcionais para passar por cima de protocolos e acelerar o processo.
O projeto foi aprovado sem a tradicional análise da comissão de Orçamento (Congressional Budget Office), que tem a missão de apontar as consequências dos projetos em tramitação. Em março, a comissão havia estimado que o primeiro projeto republicano deixaria 24 milhões de pessoas sem cobertura na próxima década.


