Primeira tentativa de Trump de reformular plano de saúde havia sido frustrada, em março, por oposição de setores ultraconservadores do Partido Republicano
Primeira tentativa de Trump de reformular plano de saúde havia sido frustrada, em março, por oposição de setores ultraconservadores do Partido Republicano | Foto: Mandel Ngan/AFP



Nova York – Em uma votação apertada, a Câmara dos Estados Unidos aprovou, nesta quinta-feira (4), um novo projeto para revogar e reformular o Obamacare – como ficou conhecida a lei sancionada em 2010 por Barack Obama para ampliar o alcance do sistema público de saúde. A matéria teve 217 votos favoráveis e 213 contrários e agora deve ser apreciada pelo Senado, onde os republicanos têm maioria estreita.

A proposta de substituição do plano de saúde instituído por Obama era uma das principais promessas de campanha de Donald Trump e a vitória desta quinta-feira deixa no ar uma série de incertezas sobre as consequências práticas das novas regras, mas tem forte significado político. Ao longo dos últimos sete anos, os republicanos atacaram o plano democrata de maneira implacável, pregando a urgente necessidade de derrubá-lo.

Durante a campanha presidencial, Trump insistiu no tema, assegurando que se vencesse as eleições aprovaria sem demora uma nova legislação, mas desde sua posse, em 20 de janeiro, o Partido Republicano tem dado mostras de desarticulação e despreparo para cumprir a promessa – apesar de ser maioria no Congresso.

Imagem ilustrativa da imagem Câmara dos EUA aprova projeto que substitui Obamacare



A primeira tentativa de reformulação do Obamacare foi apresentada em março, mas esbarrou na oposição de setores ultraconservadores do partido, que pregavam uma solução de mercado sem subsídios e amparos estatais. Entre os parlamentares moderados houve também quem resistisse ao projeto temendo a perda de apoio de eleitores prejudicados pelas novas regras. O projeto, costurado pelo presidente da Câmara, Paul Ryann, acabou sendo retirado antes de ir a plenário, impondo uma ruidosa derrota a Trump e aos republicanos.

A nova versão, agora aprovada, esteve por naufragar durante a semana por não dar garantias de que destinaria recursos para o tratamento de pacientes com doenças pré-existentes.
O assunto tornou-se mais sensível quando Jimmy Kimmel, comediante e apresentador de TV, fez uma emocionada defesa do Obamacare ao descobrir que seu filho recém-nascido sofria de uma doença cardíaca congênita. Ele lembrou que antes da lei sancionada pelo presidente democrata havia uma grande chance de um adulto com a doença de seu filho não conseguir um plano de saúde - por tratar-se de um problema diagnosticado desde o nascimento.

Muitos republicanos ameaçaram abandonar o barco até que o deputado Fred Upton apresentou uma emenda que garante um aporte de US$ 8 bilhões para manter nos próximos anos a assistência para portadores de doenças pré-existentes.

Não está claro, contudo, se os recursos serão suficientes - democratas e muitos especialistas dizem que não. Tampouco sabe-se ao certo quais serão os impactos do projeto, caso transforme-se em lei.

A votação foi organizada a toque de caixa para garantir uma vitória expressiva ao governo. Sob protestos, a maioria adotou procedimentos excepcionais para passar por cima de protocolos e acelerar o processo.

O projeto foi aprovado sem a tradicional análise da comissão de Orçamento (Congressional Budget Office), que tem a missão de apontar as consequências dos projetos em tramitação. Em março, a comissão havia estimado que o primeiro projeto republicano deixaria 24 milhões de pessoas sem cobertura na próxima década.

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