Câmara decide a situação de Clinton
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sábado, 19 de dezembro de 1998
Paulo Sotero Agência Estado 
Salvo uma improvável conversão de última hora de deputados republicanos que ainda ontem se declaravam indecisos, o presidente Bill Clinton está fadado a entrar hoje para a história dos Estados Unidos como o segundo ocupante da Casa Branca a ter seu mandato popular constitucionalmente contestado e ameaçado de anulação pelo poder Legislativo.
Onze meses depois do início do sórdido escândalo político-sexual envolvendo o presidente dos Estados Unidos e a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky, a maioria republicana da Câmara dos Representantes, com o apoio de alguns poucos democratas, deverá aprovar hoje pelo menos um dos quatro artigos de impeachment contra Clinton que a Comissão de Justiça adotou na semana passada, numa votação estritamente partidária.
De acordo com levantamento feito pela Associated Press, havia, na tarde de ontem, 201 deputados pró-impeachment, 194 contrários, 28 indecisos e 12 que se recusaram a declarar como votarão.
A maioria para aprovação é de 218 votos. O projeto de lei diante dos 435 deputados acusa Clinton de ter subvertido as leis dos EUA, traído a confiança do povo e violado o juramento solene que fez ao tomar posse de executar e defender a Constituição do país ao prestar falso testemunho, em dois processos judiciais, sobre suas relações com Lewinsky. Acusa também o líder norte-americano de ter tentado obstruir o trabalho da justiça para esconder seu affair com a jovem e de ter abusado dos poderes da presidência com o mesmo objetivo.
Com os militares norte-americanos engajados na terceira noite do bombardeio aéreo por controle remoto do Iraque, que Clinton ordenou na quarta-feira passada assegurando ao país e ao mundo que a ação não tinha relação com seus problemas políticos domésticos, os republicanos abriram as baterias contra o presidente e comandante-chefe das forças armadas, argumentando, basicamente, que ele é um mentiroso que não vacila em violar as leis em seu próprio benefício e não tem mais condições de continuar na Casa Branca.
Num toque quase surrealista, o deputado Ray Lahood, republicano de Illinois incumbido de presidir a sessão, abriu o histórico debate implorando a seus colegas para não agravar a atmosfera carregada que se respirava no Capitólio com comentários pessoalmente abusivos sobre o presidente.


