WashingtonA Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovou ontem uma resolução que autoriza o presidente George W. Bush a usar a força contra o Iraque. Entretanto, o texto inclui elementos que restringem o projeto que a Casa Branca havia enviado. A resolução foi aprovada por 296 votos a favor (215 republicanos e 81 democratas) e 133 contra (126 democratas, seis republicanos e um independente).
A maioria dos democratas votou contra a resolução, apesar de o líder da minoria desse partido na Câmara, Richard Gephardt, ter votado a favor.
O Senado deve fazer a sua votação no fim da tarde de hoje.
A expectativa é de que o resultado no Senado também seja majoritariamente a favor da autorização a Bush, depois uma proposta para adiar o debate foi derrotada por 75 votos a 25.
O texto elimina a vaga menção do Governo ao uso da força ''na região'', e concentra-se explicitamente no Iraque, onde fica autorizado o uso da força para que sejam cumpridas as resoluções da ONU e defendida a segurança nacional dos EUA.
Também estabelece que o presidente Bush deve trabalhar com o Conselho de Segurança da ONU para assegurar o desarmamento iraquiano.
Antes que o Governo possa usar a força no Iraque deve se certificar ante o Congresso que a diplomacia fracassou, e, além disso, tem que informar sobre a situação ao Legislativo pelo menos a cada 60 dias, de acordo com a ''Lei de Poderes de Guerra''.
SenadoO líder da maioria democrata no Senado, Tom Daschle, anunciou ontem que votará a favor da resolução que dá ao presidente dos EUA, George W.Bush, a autorização para usar a força contra o Iraque, depois das mudanças feitas na proposta da Casa Branca.
''Votarei a favor de dar ao Presidente a autoridade que ele necessita'', afirmou Daschle, que até agora não havia revelado sua postura, em discurso no plenário durante o debate sobre a resolução
O anúncio de Daschle contribuirá para a aprovação do texto na votação no Senado. O líder democrata disse que o texto original apresentado pela Casa Branca há várias semanas o havia deixado ''preocupado'', pois ''o desejo do Presidente de ir à guerra sozinho, sem o apoio de nossos aliados e sem a autorização do Congresso, era errado''.
No entanto, Daschle afirmou que o texto que está sendo discutido ''é fundamentalmente diferente e melhor do que aquele que o Presidente nos enviou''.
O líder democrata disse que, em primeiro lugar, foram retiradas as vagas menções ao uso da força ''na região'', e o Iraque passou a ser mencionado explicitamente.
No Senado, a resolução, segundo os analistas, deve ser apoiada por cerca de 80 legisladores, de um total de 100.
Bush comentaO presidente dos EUA, George W. Bush, disse ontem que a aprovação na Câmara de Representantes da resolução que autoriza o uso da força contra o Iraque envia uma mensagem clara e firme a Saddam Hussein e à ONU. ''A Câmara falou claramente ao mundo e ao Conselho de Segurança da ONU'', afirmou Bush em uma declaração lida na Casa Branca. ''A ameaça do Iraque deve ser enfrentada completa e finalmente'', assinalou o presidente.

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