Câmara adia julgamento de Cubas
A Câmara de Deputados do Paraguai decidiu ontem que o pedido de julgamento do presidente Raúl Cubas só deve ser decidido no próximo dia 7 de abril. Em meio a uma grande crise política, o Congresso, de maioria oposicionista, acusa o presidente de se levantar contra uma decisão da Suprema Corte de Justiça. Cubas é acusado de ter mandado soltar da cadeia o ex-general golpista Lino Oviedo, seu principal aliado político.
Os legisladores necessitam do apoio de dois terços de seus integrantes para acusar o presidente na Câmara e, posteriormente, levar o caso ao Senado. Nesta casa, precisam do mesmo número de votos para pedir o impeachment do presidente. Os deputados simpatizantes a Cubas e Oviedo queriam que a questão fosse resolvida ontem mesmo. Argumentavam ter os votos suficientes para mandar a questão para o arquivo. A proposta desses deputados perdeu por 44 a 27.
Terça-feira, Cubas recorreu a um juiz pedindo ajuda contra o processo político com o argumento de que a pressão do Congresso é uma ameaça ao seu cargo. O magistrado não concedeu de imediato a medida de amparo ao presidente. Para o oviedista Carmelo Benítez o adiamento foi uma vitória já que mostrou que os falsos democratas não têm força para levar o julgamento político adiante. Para o oposicionista Marcelo Duarte não é de se estranhar o adiamento já que uma maioria quer estudar o assunto com mais calma.
Oviedo foi sentenciado a pena de dez anos em março de 1998 por tentar um golpe de Estado em 96 contra o então presidente Juan Carlos Wasmosy. Cubas libertou-o em agosto, cinco meses depois. Tomara posse havia três dias. Sua medida desatou uma crise institucional que colocou no ringue o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.
Num dos últimos episódios violentos, partidários de Oviedo e Cubas ocuparam, domingo, o comitê central do Partido Colorado, no poder. Expulsaram representantes de correntes dissidentes do partido e nomearam uma nova direção. Ontem, o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral deu ganho de causa à direção anterior, cujo mandato vence no próximo dia 9 de maio.France PresseApoioPartidários do general Oviedo promovem manifestação em Assunção contra o julgamento do presidente CubasReuters





