Paris O governo da França colocou em prática ontem um plano de emergência nacional para combater a onda de calor que durante os últimos 11 dias causou a morte de entre ''1.500 e 3.000 pessoas'', segundo o ministro da Saúde, Jean-François Mattei.
As autoridades decidiram ativar o dispositivo, conhecido como 'Plano Branco', para lutar contra os efeitos do calor e acrescentaram que a situação está quase sob controle, ao final de uma reunião da célula de crise comandada pelo primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin, que interrompeu as férias, retornando a Paris.
O plano, utilizado no caso de epidemias, desastres ou ataques terroristas, prevê a ampliação da quantidade de leitos existentes nos hospitais, assim como da equipe médica e de enfermaria, permitindo a instalação de necrotérios provisórios.
O ministro da Saúde acrescentou que ''a situação está mais ou menos estabilizada'' depois de 11 dias de uma onda de calor fatal, com temperaturas que variavam em torno dos 40 graus.
O plano de emergência tem o objetivo de organizar a assistência a um elevado número de vítimas nos centros de saúde, no caso de epidemia, catástrofes ou atentados, assim como acidentes nucleares, radiológicos, biológicos ou químicos.
De acordo com Lucien Abenhaim, diretor-geral de Saúde, a onda de calor que afeta a França há 15 dias teve como consequência ''um elevado número de falecimentos: podem ter sido 3.000 casos''.
Ele acrescentou, em entrevista ao jornal Le Monde, que as pessoas mais idosas foram as primeiras vítimas das altas temperaturas.
A estimativa de Abenhaim foi a primeira divulgada pelo governo da França com dados dessa magnitude desde que começou a polêmica sobre a suposta inércia das autoridades em relação ao que a imprensa considera uma ''hecatombe'' e uma ''verdadeira tragédia''.

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