CaracasA tranquilidade predominou ontem na Venezuela, que ainda tenta assimilar o novo pronunciamento militar rebelde de 14 altos comandantes, a maioria investigados ou processados por sua participação no golpe de 11 de abril.
Centenas de pessoas, principalmente da classe média, continuavam respaldando ontem a iniciativa dos oficiais rebeldes na praça de Altamira, em Caracas, e não foram registrados incidentes.
Segundo os meios de comunicação de diferentes regiões do país, as atividades trabalhistas se desenvolveram com normalidade e a população não atendeu ao pedido de desobediência civil feito pelos oficiais.
O grupo ''desconheceu'' terça-feira o Governo ''ilegítimo'' do presidente Hugo Chávez e pediu a ''insurreição'' de civis e militares.
Nenhum dos generais e almirantes do grupo dispõe de comando sobre unidades de combate, já que os que comandavam tropas foram afastados por causa do golpe de Estado de abril passado. A maioria deles enfrenta comissões de investigação que, a curto prazo e segundo fontes militares, podem levar à sua baixa da Força Armada Nacional (FAN).
O pronunciamento teve uma ampla cobertura nos meios audiovisuais privados e aconteceu no dia seguinte à mudança de estratégia da oposição para tentar tirar Chávez da presidência, quando a Coordenadora Democrática, que reúne todos os setores de oposição, apresentou, na segunda-feira, como seu objetivo imediato a realização de uma ''consulta popular''.
A nova estratégia da Coordenadora, que não esclareceu as razões da mudança, pode significar o abandono de ''exigências'' não previstas pela Constituição, como forçar a renúncia de Chávez ou impor a convocação de eleições.
O ministro de Defesa, o general reformado José Luis Prieto, lamentou que os oficiais rebeldes estivessem ''confusos'' e os advertiu de que sua conduta poderia ''acarretar responsabilidades penais''. O vice-presidente e ex-titular de Defesa, José Vicente Rangel, assegurou que a ação dos oficiais representa ''a fase terminal de um processo golpista''.

mockup