Os EUA afirmam que vão atacar o Iraque quando melhor lhe parecerem, mas, para isto, devem levar em conta fatores tão diversos quanto o calendário muçulmano, o recesso do Congresso e até as fases da lua. Com um calendário na mão, especialistas, jornalistas e diplomatas a postos em Washington fazem cálculos detalhados para averiguar qual seria o melhor momento para desencadear uma ofensiva contra Bagdá.
‘‘O prazo de lançamento (de uma ação militar) se situa entre 24 de fevereiro e 15 de março’’, avalia um diplomata europeu, considerando que a questão já não é saber se Washington atacará, mas quando o fará.
O Congresso americano está de recesso até dia 24, sem ter votado uma resolução de apoio a uma operação militar. A Casa Branca estima não precisar de uma autorização formal, mas preferiria ter o apoio do bloco parlamentar.
Os muçulmanos de todo o mundo começarão a viajar a Meca a meados de março, para a peregrinação que deve ser feita, pelo menos uma vez na vida, pelos crentes, com recursos necessários.
Os muçulmanos não devem cometer atos de violência durante esse período, que finalizará este ano dia 7 de abril com a festa do Eid al-Ahda, que marca o fim da peregrinação (Hadj).
Os especialistas descartam uma operação durante o Hadj, tal como consideraram impensável um ataque durante o mês de jejum sagrado do Ramadã, que terminou dia 29 de janeiro. O presidente Bill Clinton realizará sua primeira visita à África a partir de 22 de março e até 2 de abril.
O ‘‘The New York Times’’ destacou ontem que o presidente e sua mulher Hillary prevêem visitar a filha Chelsea na universidade de Stanford (Califórnia) de 25 de fevereiro a 1º de março.
O jornal também verificou o calendário da lua: os bombardeiros norte-americanos serão muito menos discretos nas noites de lua cheia, com o que os dias 26 de fevereiro e 28 de março estão descartados. A noite no Oriente Médio será mais escura nos dois ou três dias anteriores ou posteriores a essas duas datas.
Entre todos os fatores externos, a perspectiva de uma trégua olímpica durante os Jogos de Nagano (Japão), 7 a 22 de fevereiro, despertou declarações sumamente ambíguas. A tradição olímpica exige que os países que participam dos Jogos se abstenham de toda a ação belicosa durante este período.
Os Estados Unidos patrocinaram no final de novembro passado uma resolução unânime dos países membros da ONU conclamando a respeitar essa tradição durante os XVIII Jogos de Inverno. Também a embaixada dos EUA em Tóquio informou que os ‘‘EUA respeitariam este apelo à paz’’. Mas o Pentágono informou que ‘‘os fatores externos não desempenharão um papel’’ de importância, na hora de desencadear uma ofensiva. Sexta-feira passada, o embaixador norte-americano na ONU Bill Richardson afirmou em Tóquio que os EUA ‘‘compreendem a preocupação do Japão e levam em conta a tradição olímpica’’.

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