O Supremo Tribunal de Justiça, órgão máximo do Judiciário venezuelano, determinou na sexta-feira à noite o confisco de instalações da RCTV para uso do novo canal governista, Tves, que substituirá a emissora oposicionista. A sentença também ordena o Ministério da Defesa a ‘‘custodiar, controlar e vigiar’’ os equipamentos. ‘‘A Sala Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça admitiu duas demandas por interesses difusos e coletivos, interpostas por diversos grupos de usuários que solicitaram medidas técnicas imprescindíveis para fazer efetiva a continuidade na prestação do serviço público de televisão aberta em freqüência VHF designado no canal 2’’, diz a decisão. Chávez afirmou que o fim da concessão da RCTV é um ‘‘simples fato rotineiro’’. Para o líder venezuelano, ‘‘dificilmente’’ há um país com ‘‘tanta liberdade de expressão’’. Chávez colocou centenas de militares para patrulhar as ruas da capital. Mesmo assim, não evitaram um ataque de supostos militantes chavistas contra a sede do canal de notícias Globovisión, crítico do governo. Na seqüência, militantes chavistas invadiram três faculdades da Universidade Central da Venezuela, em resposta a um protesto de estudantes contra o fechamento da RCTV.

Há 53 anos no ar, interrompeu suas transmissões à meia-noite de domingo. Conhecida em toda a América Latina por programas de entretenimento e telenovelas, a RCTV teve que enfrentar duros questionamentos do presidente venezuelano, Hugo Chávez, sobre o tom crítico de seus telejornais e o apoio que o canal deu ao golpe de Estado frustrado contra o presidente, em 2002.

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