Caças aliados revidam ataque iraquiano
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quinta-feira, 31 de dezembro de 1998
Reuters 
A defesa antiaérea do Iraque lançou ontem uma ofensiva contra esquadrilhas britânicas e americanas que patrulhavam a zona de exclusão aérea imposta no sul do país, no segundo incidente entre as forças do regime de Saddam Hussein e a aliança militar anglo-americana em apenas três dias. Caças americanos responderam ao fogo, bombardeando uma base da artilharia antiaérea iraquiana na região.
Nossa defesa antiaérea disparou mísseis terra-ar contra aviões inimigos provenientes de bases na Arábia Saudita que se aproximaram de nossas posições, obrigando-nos a rechaçar a violação de nosso espaço aéreo, indicou uma nota oficial do governo iraquiano, divulgada pela agência de notícias oficial, INA. É quase certo que um desses aviões foi abatido.
Mais tarde, o regime de Saddam anunciou, por meio de seus porta-vozes, que a resposta americana tinha causado a morte de um trabalhador rural e ferido outros dois civis no sul do país. Cerca de 45 minutos depois de as formações inimigas terem fugido de nosso fogo, uma das esquadrilhas retornou e, covardemente, lançou uma série de mísseis numa propriedade rural, matando um civil, ferindo outros dois e destruindo um trator.
Em Washington, fontes do Departamento de Defesa dos EUA (Pentágono) tinham informado um pouco antes que entre seis e oito mísseis foram disparados contra aviões britânicos, acrescentando que as baterias antiaéreas iraquianas tinham sido bombardeadas em retaliação. A informação sobre a derrubada de um dos aviões da aliança anglo-americana não foi confirmada.
Na segunda-feira, num incidente semelhante, aviões americanos responderam a um ataque da defesa antiaérea iraquiana na zona de exclusão aérea do norte do país. O lado iraquiano denunciou o bombardeio de uma de suas bases na região, que teria causado a morte de quatro soldados.
Desde sábado, o vice-presidente do Iraque, Taha Yassin Ramadan, vem reiterando que as forças militares de seu país têm ordem para atacar todos os aviões estrangeiros que invadirem o espaço aéreo iraquiano. Bagdá não reconhece a legalidade das zonas de exclusão aérea, estabelecidas após a Guerra do Golfo por EUA, Grã-Bretanha e França. Pela imposição, aviões e helicópteros iraquianos estão proibidos de sobrevoar essas áreas. A medida teve como objetivo evitar que Saddam atacasse a minoria étnica curda, que vive no norte do país, e grupos muçulmanos xiitas que fazem oposição ao regime iraquiano, baseados no sul.


