Bush tenta conter polêmicas sobre o Iraque
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sábado, 04 de outubro de 2003
France Presse 
Washington - O presidente George W. Bush tenta conter a onda de críticas pela ocupação do Iraque, em uma semana na qual a Casa Branca começou a ser investigada pela Justiça um relatório oficial revelou que os americanos não encontraram rastros de armas de destruição em massa no território iraquiano.
A quase um ano das eleições presidenciais, a atual situação alimenta os ataques dos dez pré-candidatos democratas. Ao mesmo tempo, a política externa começa a inquietar a população, num momento em que a economia já é tema de preocupação suficiente para os americanos.
O caso do vazamento de informações prejudica ainda mais Bush, que foi eleito em 2000, em parte, pela promessa de ''devolver a dignidade'' à Casa Branca depois dos escândalos registrados durante a presidência do democrata Bill Clinton.
Seus colaboradores mais próximos podem ser interrogados nos próximos dias pelo FBI, como parte de uma investigação que tenta descobrir a pessoa que passou à imprensa a informação de que Valerie Plame, mulher do ex-diplomata Joseph Wilson, era agente secreta da CIA, um crime federal nos Estados Unidos, que pode ser punido com vários anos de prisão.
Nesse caso, o Iraque também é a origem dos problemas. Para vingar-se de Wilson, ligado aos democratas, autor de um relatório que contradizia as afirmações do governo Bush sobre a intenção de Saddam Hussein de adquirir urânio enriquecido de Níger, um ou vários altos funcionários da Casa Branca teriam revelado à imprensa o nome e a função de sua esposa.
''Isso tem o potencial para se tornar um grande caso'', disse Stephen Hess, professor de história presidencial da Brookings Institution em Washington. ''Porém, é muito cedo para afirmar e é preciso manter a prudência'', acrescentou.
O outro ingrediente na polêmica é o relatório preliminar de David Kay, especialista americano responsável por procurar armas de destruição em massa no Iraque, que fragilizou ainda mais as justificativas apresentadas pela administração Bush para invadir o território iraquiano e derrubar Saddam Hussein.
O chefe do grupo de inspeções no Iraque reconheceu, na quinta-feira, que ainda não encontrou armas de destruição em massa, mas a suposta existência do armamento foi uma das principais causas para Bush declarar guerra.
''Se alguém passou informações secretas, quero saber'', afirmou após o anúncio de que o Departamento de Justiça iniciara uma investigação sobre o caso Wilson.
Os serviços jurídicos da Casa Branca deram um prazo até a próxima terça-feira para que os funcionários e colaboradores da presidência entreguem todos os documentos que possam ajudar a solucionar o assunto.
Em relação ao relatório Kay, Bush preferiu ignorar o fato de que nenhuma arma de destruição em massa foi encontrada no Iraque e afirmou que o documento prova a vontade do antigo regime iraquiano de obter as armas.
No entanto, o processo de reconstrução e estabilização do Iraque é o que constitui o verdadeiro problema para o presidente atualmente.
De acordo com a revista Newsweek, os trabalhos são prejudicados pelas divergências que persistem entre o secretário de Estado Colin Powell e o de Defesa Donald Rumsfeld.
Além disso, os americanos estão muito preocupados com a economia. A taxa de desemprego, em 6,1%, não caiu em setembro.
Segundo uma pesquisa publicada na sexta-feira pelo jornal New York Times, 56% das pessoas entrevistadas consideram que Bush não tem as mesmas prioridades que os americanos a respeito do futuro do país.


