Bush será aclamado hoje na convenção
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de agosto de 2000
Paulo Sotero Agência Estado De Washington 
George Will, um colunista com sólidas credenciais conservadoras, escreveu esta semana na revista Newsweek que, relativamente ao estado de ânimo dos norte-americanos e ao conteúdo do conservadorismo nos Estados Unidos em diferentes épocas, George W. Bush e Dick Cheney talvez formem a chapa presidencial mais conservadora dos republicanos desde 1964, quando o então senador de Arizona, Barry Goldwater, o líder da ala radical do partido, e o deputado Bill Miller, de Nova York, disputaram (e perderam) a presidência.
Mas é difícil detectar qualquer sinal do direitismo da dupla Bush-Cheney na convenção dos republicanos.
Os temas tradicionais dos conservadores norte-americanos, como a denúncia do aborto legal, da violência e do crime, da intrusão excessiva do governo na vida dos cidadãos e das empresas deram lugar a imagens e discursos sobre o imperativo da inclusão racial, a educação e o bem-estar social. O tema da primeira noite foram as crianças.
Na noite de abertura, o momento mais eloquente foi de autocrítica. Conclamando seus correligionários a voltar a ser o partido de Abraham Lincoln, o ex-comandante do estado-maior conjunto das forças armadas, general Colin Powell primeiro negro a chegar ao topo da hierarquia militar americana repreendeu os republicanos por não perderem nenhuma oportunidade para condenar os programas de ação afirmativa para crianças negras mas não dão um pio sobre a ação afirmativa para lobistas que agem em nome de interesses especiais.
A estratégia deles é falar em compaixão e tudo mais, comentou ontem o presidente Bill Clinton. É uma estratégia brilhante; é um pacote bonito e eles esperam que se o amarrarem apertado o suficiente as pessoas não abrirão o pacote antes do Natal, acrescentou.
Bush, que chegará hoje à Filadélfia, respondeu que o fato de Clinton encontrar tempo para fazer análise sobre a convenção do partido adversário é um sinal de seu desespero em ver Albert Gore eleito, pois só assim ele conseguirá reivindicar um legado político.
Os discursos de ontem, sobre defesa e segurança nacional, foram mais incisivos. Os dois principais oradores da noite, o senador John McCain, que disputou a indicação presidencial com Bush, e o ex-general Norman Schwarzkopf, o comandante das forças na Guerra do Golfo, criticaram a perda de liderança mundial dos Estados Unidos durante a administração Clinton-Gore.
O tom mais duro desses discursos não afetou a estratégia por trás da coreografia da convenção republicana. Trata-se de apresentar a mensagem positiva e sorridente que os norte-americanos querem ouvir nesses tempos de prosperidade e remover alvos para os democratas na reta final da campanha. A polícia teve trabalho ontem para conter os ativistas que protestaram contra a convenção.


