WASHINGTON - O presidente americano, George W. Bush, afirmou ontem que seu novo secretário de Defesa será um ''agente da mudança'', sugerindo mudanças na estratégia no Iraque. Em sua primeira mensagem semanal por rádio, após a derrota republicana nas eleições legislativas e estaduais de 7 de novembro nos Estados Unidos, o presidente manifestou determinação de combater o terrorismo e disse que o Iraque continua sendo ''a frente central desta guerra''.
Comentou, no entanto, estar aberto a receber idéias dos democratas e de um grupo independente bipartidário de personalidades que trabalha em propostas para o Iraque e com o qual se reunirá na segunda-feira na Casa Branca.
Durante seu discurso, Bush mencionou a nomeação de Robert Gates como secretário de Defesa, em substituição a Donald Rumsfeld, a face de uma guerra cada vez mais impopular. Como ex-chefe da CIA e diretor de uma universidade, Gates ''mostrou que é um agente da mudança. Como secretário da Defesa dará um novo olhar sobre a estratégia no Iraque e o que temos que fazer para vencer''.
''As eleições produzirão mudanças em Washington'', disse, ''mas há uma coisa que não mudou: os Estados Unidos enfrentam inimigos brutais que nos atacaram e querem nos atacar de novo''.''Tenho uma mensagem para estes inimigos'', complementou Bush, ''não confundam as regras da democracia americana com uma falta de determinação americana''.
Processo contra Rumsfeld - Uma associação de advogados, que defende detentos na base naval americana de Guantánamo, em Cuba, anunciou na última sexta-feira que apresentará um processo contra o secretário americano de Defesa demissionário, Donald Rumsfeld, por sua suposta responsabilidade na tortura de prisioneiros.
Em 14 de novembro, o Centro pelos Direitos Constitucionais ''apresentará uma demanda criminal contra o ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld em uma corte alemã'', informou o grupo. A demanda pedirá que o promotor federal da Alemanha abra uma investigação para determinar a responsabilidade de altos comandos militares americanos nos crimes de guerra cometidos na ''guerra contra o terrorismo''.
A medida será apresentada em nome de 12 vítimas - 11 cidadãos iraquianos que foram detidos na prisão de Abu Ghraib e um em Guantánamo - e será levada aos tribunais pelo Centro dos Direitos Constitucionais, a Federação Internacional de Direitos Humanos, a Associação de Promotores Republicanos, entre outras instituições, representadas pelo promotor berlinense Wolfgang Kaleck.

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