Nova York - O presidente George W.Bush encerrou a convenção republicana nesta quinta-feira prometendo mais quatro anos de liderança estável em tempos de guerra, um dia depois de o vice-presidente, Dick Cheney, ter afirmado que o candidato democrata, John Kerry, é incapaz para executar esta tarefa. ‘‘Vou expor uma visão de um mundo mais seguro e de um país mais otimista’’, havia dito Bush quarta-feira.
  ‘‘Creio que este país quer uma liderança estável, consistente e de princípios e, por isso, com sua ajuda, ganharemos as eleições’’, afirmou o presidente para os quase 5.000 delegados de seu partido reunidos no Madison Square Garden, segundo trechos do pronunciamento divulgados com antecedência.
  ‘‘Sou candidato a presidente’’ nas eleições de 2 de novembro ‘‘com um plano positivo e claro de construir um mundo mais seguro e uns Estados Unidos mais otimistas’’, acrescentará em seu discurso de aceitação da candidatura que encerrará quatro dias de festa republicana no Madison Square Garden.
  Para tornar o mundo mais seguro, Bush anunciará que manterá uma estratégia de ataques preventivos e destacará os ‘‘progressos alcançados’’ na guerra contra o terrorismo em locais como Afeganistão e Iraque.
  ‘‘Temos que combater os terroristas por toda a terra, não por orgulho ou poder, mas porque a vida de nossos cidadãos está em jogo. Nossa estratégia é clara’’.
  ‘‘Mantemos a ofensiva, combatendo os terroristas fora para não ter que fazê-lo em casa’’, continuará Bush. ‘‘A liberdade de muitos e a segurança de nossa nação no futuro depende de nós’’, concluirá. O discurso no Madison Square Garden, em Nova York, pretendia ser a arma de Bush para abrir vantagem sobre Kerry. Antes do início da convenção republicana, Bush estava com ligeira vantagem sobre o democrata nas pesquisas.
  Na noite de quarta-feira, o vice-presidente Dick Cheney lançou um ataque frontal contra Kerry, acusando o democrata de não estar preparado para ocupar a presidência por suas constantes mudanças de opinião, sua falta de visão em assuntos de segurança e sua insistência em contar com os aliados.
  ‘‘A história mostra que, para a preservação da liberdade e para nos mantermos a salvo, é vital que os Estados Unidos sejam fortes e determinados. No entanto, em mais de uma ocasião, Kerry tomou decisões ruins sobre segurança nacional’’. ‘‘As mudanças de opinião de Kerry refletem um hábito de indecisão e enviam uma mensagem de confusão’’, acrescentou Cheney. Os republicanos vêm insistindo que o candidato democrata é vacilante em algumas questões.
  O auditório saudava as referências ao candidato democrata com os gritos de ‘‘flip-flop, flip-flop’’, uma expressão que faz alusão a mudanças de opinião. Antes de Cheney, o senador democrata Zell Miller realizou um discurso incomum, ao recusar a apoiar o candidato do próprio partido.
  ‘‘O senador Kerry disse claramente que só iria recorrer à força caso as Nações Unidas a aprovasse. Kerry deixará Paris decidir quando os Estados Unidos precisam ser defendidos’’, disse Miller, convidado a fazer o discurso de honra na convenção republicana.
  ‘‘Neste momento de perigo, nosso presidente teve a coragem de se pôr de pé. E este democrata está orgulhoso de se pôr de pé a seu lado’’, concluiu o senador democrata eleito pelo estado da Geórgia (sul). A resposta dos democratas aos discursos de quarta-feira veio por meio de um comunicado do candidato a vice, John Edwards, que denunciou o ‘‘ódio’’ que impera no Madison Square Garden.
  ‘‘Dali emana um grande ódio’’, disse Edwards. Segundo ele, os democratas oferecem ‘‘a esperança’’ como contrapartida. ‘‘O que John Kerry e eu oferecemos ao povo americano é esperança, a esperança de mais empregos com boa remuneração, a esperança de melhores serviços de saúde e a esperança para os homens e mulheres que estão em serviço no Iraque e no Afeganistão’’, declarou Edwards. No momento do discurso de Bush, milhares de manifestantes devem sair às ruas de Nova York para denunciar a política do atual governo.

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