Bush pressiona por trégua no Oriente Médio
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sábado, 15 de setembro de 2001
Agência Estado 
Os Estados Unidos comunicaram a Israel que querem a realização, em breve, de uma reunião para negociar uma trégua no Oriente Médio. A informação foi dada pelo ministro israelense das Relações Exteriores, Shimon Peres. O pedido faz parte de um esforço norte-americano para forjar uma ampla coalizão contra militantes islâmicos que também incluiria países árabes.
O presidente dos EUA, George W. Bush, pediu ao primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, para conversar sobre o assunto, disseram funcionários do governo norte-americano. No entanto, Sharon não quer que Peres reúna-se neste momento com o líder palestino, Yasser Arafat, disse Raanan Gissin, conselheiro de Sharon.
Sharon acredita que o líder palestino não faz nada para deter os militantes islâmicos e que alguns de seus agentes de segurança participam de ataques contra os israelenses. No começo desta semana, Sharon tentou comparar Arafat a Osama bin Laden, o milionário saudita considerado principal suspeito dos ataques terroristas cometidos semana passada contra os Estados Unidos.
A atual discussão sobre a negociação de uma trégua pode aumentar a tensão entre Israel e os Estados Unidos num momento no qual o governo Sharon tenta angariar compreensão da comunidade internacional aproveitando os ataques terroristas contra os EUA para seus cada vez mais duros ataques contra militantes islâmicos.
Bush telefonou a Sharon e pediu a ele que apóie a negociação de uma trégua, disse Sean McCormack, porta-voz da Casa Branca. Diplomatas dos dois lados em conflito tentaram marcar uma reunião entre Arafat e Peres para hoje, no Aeroporto Internacional de Gaza. Funcionários palestinos disseram acreditar que o encontro ocorreria.
Sharon disse ter recebido dois telefonemas do secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, na sexta-feira, que disse ''dar grande importância à realização do encontro''. ''Os Estados Unidos estão tentando estabelecer uma coalizão contra o terrorismo e quer que elementos muçulmanos participem desta coalizão, elementos árabes também'', disse Peres.
Terje Roed-Larsen, enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) ao Oriente Médio, acredita que palestinos e israelenses correm o risco de perder aquela que seria a última chance para retomarem as negociações de paz. ''Um encontro fracassado provavelmente pioraria a situação'', diz Roed-Larsen. ''Esta também pode ser a última chance, por um tempo muito longo, para retomar o processo de paz.''
Os palestinos acusam Israel de aproveitar os atentados terroristas desta semana contra os EUA para encobrir a escalada dos ataques contra eles. Após os ataques de terça-feira contra os EUA, Israel enviou tanques e soldados para as cidades cisjordanianas de Jenin e Jericó e outros dois vilarejos para destruir prédios da polícia palestina e outras estruturas.
Depois de diversas horas de incursão, os tanques israelenses retiraram-se para a periferia das cidades, mas continuavam no interior de território autônomo palestino. Desde terça-feira, 17 palestinos morreram, a maior parte deles em confrontos durante as incursões.


