Bush pressiona China por reformas políticas
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segunda-feira, 21 de novembro de 2005
Folhapress 
SÃO PAULO - Em visita à China, o presidente dos EUA, George W. Bush, pressionou ontem o presidente Hu Jintao a realizar reformas religiosas, políticas e sociais no país. Ele também pediu a abertura do mercado chinês, de modo a diminuir o enorme superávit comercial que o país mantém com os EUA.
Reunido com Hu na praça da Paz Celestial, em Pequim, Bush disse ter sugerido ao colega que convidasse o líder espiritual tibetano Dalai Lama e líderes da Igreja católica para discutirem a liberdade religiosa no país.
O primeiro evento público de que Bush participou em sua viagem de dois dias à China foi justamente uma visita a Gangwashi, uma das cinco igrejas protestantes reconhecidas na capital. ''Que Deus abençoe os cristãos da China'', escreveu no livro de convidados do templo. ''Uma sociedade saudável é aquela que aceita todas as crenças'', afirmou Bush mais tarde.
No país, há cerca de 80 milhões de cristãos, que podem orar em igrejas reconhecidas oficialmente, mas dezenas de milhões frequentam templos não-oficiais por não aceitarem a tutela do Estado. Nos outros países que visitou em seu atual giro pela Ásia - Japão e Coréia do Sul -, Bush já havia exortado o governo da China a realizar reformas políticas.
Hu, em Pequim, reafirmou a Bush o ''compromisso de seu governo com um caminho de desenvolvimento pacífico em termos de políticas democráticas e direitos humanos''. Ele também disse estar comprometido com a paz e a estabilidade em Taiwan e que se empenhará para levar a cabo uma unificação pacífica, mas descartou a independência da ilha.
Antes da chegada de Bush a Pequim, a repressão a dissidentes pelo Estado chinês levou a Secretária de Estado, Condoleezza Rice, a afirmar que os EUA continuarão a debater a questão dos direitos humanos na China de forma ''muito incisiva''. Ela também se disse desapontada com a forma como Pequim reagiu ao pedido dos EUA, em setembro, sobre ações específicas em questões de direitos humanos. ''Sem dúvida, não vimos o progresso que esperávamos''.
Quanto à abertura econômica, Hu afirmou que ele e Bush desejam ''dar as mãos'' para realizar um comércio mais equânime, mas deu poucos indícios de que irá oferecer concessões. Contudo, um primeiro passo parece ter sido sido dado com o anúncio de que a China deverá comprar 70 Boeing 737 em um negócio estimado em cerca de US$ 4 bilhões. Isso, porém, ainda é muito pouco para diminuir o enorme déficit dos EUA com o país, que deve chegar a US$ 200 bilhões neste ano.


