Bush prepara 'um novo tipo de guerra'
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de setembro de 2001
Paulo Sotero<BR>Agência Estado 
''Este conflito começou num momento e em termos escolhi dos por outros. Ele terminará de uma maneira e numa hora de nossa escolha.'' Com essas duas frases, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, expressou ontem a ''fúria silenciosa'' dos americanos diante dos ataques terroristas da última terça-feira e começou a prepará-los para o que chamou de ''um novo tipo de guerra'', durante uma missa realizada na Catedral Nacional de Washington em memória às mais de 5 mil pessoas que morreram no World Trade Center, em Nova York, no Pentágono, e num dos quatro boeings sequestrados que caiu no sul da Pensilvânia.
À tarde, Bush visitou os escombros do World Trade Center, que se converteu no epicentro de uma mobilização cívico-patriótica nacional como os norte-americanos não viam desde a Segunda Guerra Mundial.
Três outras decisões confirmaram ontem a determinação dos Estados Unidos de ativarem seu enorme poderio econômico e militar contra o inimigo invisível que golpeou seus principais centros financeiro e de defesa e provocou, num intervalo de menos de meia hora, destruição e morte numa escala que o país não conhecia, dentro de seu território continental, desde a guerra civil de 1860-1865.
Pouco depois do encerramento da missa uma impressionante demonstração de unidade nacional à qual comparaceram quatro ex-presidentes republicanos e democratas, os líderes dos dois partidos, que compartilham o poder num Congresso dividido ao meio, e o ex-vice-presidente Albert Gore, que perdeu as eleições à Casa Branca para Bush em circunstâncias discutíveis , o Senado aprovou por unanimidade uma resolução que autoriza Bush a ''usar toda a força necessária e apropriada contra as nações, organizações e pessoas que tenham planejado, autorizado, perpetrado ou ajudado os ataques terroristas... ou abrigado tais organizações e pessoas responsáveis por tais atos''. A Câmara deve aprovar a medida hoje.
Paralelamente, o Congresso aprovou, sem nenhum voto contrário, uma verba de emergência de US$ 40 bilhões o dobro do que o Executivo pediu para os trabalhos de resgate dos cadáveres, recuperação das áreas e negócios destruídas e assistência às famílias atingidas pela catástrofe, bem como para a mobilização inicial de recursos e forças para a guerra contra o terrorismo.
No terreno militar, a mobilização começou ontem com a chamada à ativa de 35 mil reservistas, a maioria da força aérea (13 mil) e do exército (10 mil) para reforçar os dispositivos de defesa em 26 das bases militares do país.
Na última vez que os EUA foram à guerra, há pouco mais de 10 anos, no Golfo Pérsico, a resolução que autorizou a administração do pai do atual presidente, George H. Bush, a responder pela força à invasão do Kuwait pelo Iraque foi aprovada por uma margem de apenas cinco votos no Senado 52 contra 47.


