Bush pede que os afegãos se revoltem
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quarta-feira, 26 de setembro de 2001
France Presse<br> De Islamabad 
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, lançou um apelo aos afegãos para que se rebelem contra o regime dos talebans, acusados de proteger a rede terrorista de Osama bin Laden, o que provocou violenta reação em Cabul (veja na página ao lado). Ao mesmo tempo, as organizações internacionais se preocupam com as consequências humanitárias da operação ''Liberdade duradoura''.
Paralelamente à parte militar em preparação desta operação, numerosos países começaram a mobilizar-se para tentar cortar o financiamento do terrorismo internacional.
Os atentados de 11 de setembro em Nova York, cuja responsabilidade os americanos atribuem a Osama Bin Laden, causaram 6.876 mortos ou desaparecidos, segundo o último balanço publicado terça-feira.
Em comunicado à população, o presidente Bush pediu a ''cooperação dos cidadãos afegãos que estão cansados dos talebans no poder ou de proteger gente como Bin Laden''. Bush disse que o objetivo da operação, oficialmente batizada ''Liberdade duradoura'' é chegar aos terroristas, capturá-los e colocá-los à disposição da Justiça.
Terça-feira à noite, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, advertiu que a operação resultará em uma ''intervenção militar'' se o regime taleban ''não entregar Bin Laden''. O chefe supremo dos talebans no poder em Cabul, o mulá Mohammad Omar, ignorou o ultimato, apresentando em comunicado os atentados de 11 de setembro como uma revanche pelas ''atrocidades'' cometidas pelas autoridades americanas ''nos países muçulmanos''.
O secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, adiantou ontem que ''não haverá solução rápida'' para a guerra contra o terrorismo.
O caráter militar da operação ''Liberdade duradoura'' deverá ser examinado em Bruxelas pelos ministros da Defesa da OTAN, reunidos para discutir a ajuda concreta que podem dar aos EUA.
Nos últimos dias, Estados Unidos e Grã-Bretanha enviaram tropas para o Oriente Médio e Oceano Índico.
Vários países europeus, entre eles França e Itália, não descartaram a possibilidade de participar em eventuais operações militares contra o Afeganistão.
Rússia e repúblicas da Ásia Central, por sua vez, ofereceram cooperação sem precedentes, aceitando liberar seus espaços aéreos para eventuais ataques aos talebans.
Já o Paquistão, país chave para a operação contra o Afeganistão, demora para concretizar suas promessas de ajuda militar aos EUA.


