Crawford O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que recebeu o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon em seu rancho particular no Texas, pediu ontem ao líder da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, que apóie a retirada de Israel da Faixa de Gaza, apresentada pelo primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon. Bush disse também que é ''irreal'' imaginar um retorno às fronteiras de 1949, numa declaração que foi criticada pela Autoridade Palestina.
''Apóio firmemente sua valente iniciativa de se retirar de Gaza e de uma parte da Cisjordânia. O primeiro-ministro está pronto para coordenar a aplicação do plano de retirada com os palestinos. Peço ao governo palestino que aceite sua oferta'', assegurou Bush em entrevista ao lado do primeiro-ministro israelense.
''Mostrei ao primeiro-ministro minha preocupação de que Israel tome iniciativas que não correspondam às suas obrigações em relação ao Mapa da Paz e ponham em risco o regulamento final das negociações'', disse o presidente americano.
Nos últimos dias, Bush fez vários pedidos aos israelenses para que ponham fim à ampliação das grandes colônias na Cisjordânia e se comprometeu a repetir suas advertências a Sharon quando o recebesse no Texas. ''A posição israelense é de que as grandes colônias fiquem em Israel'', disse, por sua vez, Sharon. Ele, no entanto, se comprometeu a respeitar suas obrigações com relação ao Mapa da Paz. ''Quanto aos assentamentos ilegais, quero reiterar que Israel é uma sociedade governada pelo império da lei. Como tal, cumprirei com meu compromisso, senhor Presidente, de desmantelar os postos avançados não-autorizados e os assentamentos''.
''Desejamos que os palestinos governem a si mesmos em seu próprio Estado, que terá contiguidade territorial, ao lado de Israel, em paz e em segurança'', assegurou Sharon. O termo ''contiguidade'' significa que o Estado não será dividido pelos assentamentos israelenses, o que impediria a livre circulação palestina. Sharon pediu também que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, tome medidas para frear a violência extremista, depois dos disparos de morteiros lançados no fim de semana contra os assentamentos e posições do exército de Israel em Gaza.
''Só depois que os palestinos cumprirem suas obrigações, sobretudo no combate contra o terrorismo e o desmantelamento da infra-estrutura, podemos proceder as negociações com base no Mapa da Paz'', disse Sharon.
A Autoridade Palestina, por sua vez, reprovou a declaração de Bush de que é irreal imaginar um retorno às fronteiras de 1949, afirmando que dessa forma o presidente americano ''legitima'' a colonização judia na Cisjordânia. ''O que é necessário agora é começar a aplicar o Mapa da Paz. Não há que legitimar a atividade colonial, seja ela qual for'', disse Nabil Abu Roudeina, conselheiro da presidência da Autoridade Palestina.

mockup