São Paulo - O presidente norte-americano, George W. Bush, queixou-se ontem durante visita à Riad, na Arábia Saudita, dos altos preços do petróleo, e afirmou que discutiu a questão com o rei Abdullah. Recentemente, o petróleo chegou a US$ 100 (R$ 173) o barril.
''Os preços estão muito altos, o que é duro para nossa economia'', disse Bush, pouco antes de participar de uma mesa-redonda com empresários na embaixada dos EUA.
A questão do petróleo já havia sido levantada pelo presidente anteriormente durante sua visita de oito dias à região. Ele pressiona pelo uso de combustíveis e fontes de energia alternativos.
A Arábia Saudita detém as maiores reservas de petróleo do mundo, e o aumento dos custos do combustível prejudica a economia dos EUA, onde a gasolina subiu para US$ 3 o galão.
O ministro saudita do Petróleo, Ali al-Naimi, afirmou que seu país aumentaria a produção de petróleo cru caso o mercado exigisse, mas não se comprometeu a nada. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que deve adotar uma decisão sobre sua produção no dia 1º de fevereiro em Viena, vai se guiar por ''todos os dados disponíveis'', afirmou Naimi.
Em sua última reunião no dia 5 de dezembro em Abu Dhabi, a organização decidiu manter sem mudanças sua produção, apesar da pressão dos países industrializados. No dia 2 de janeiro, o barril de petróleo superou pela primeira vez na história o marco de US$ 100.
Roteiro
Também ontem, Bush visitou o Palácio al Murabba, o Museu de História Nacional e a fazenda Al Janadriyah, pertencente ao rei Abdullah. Quando esteve nos EUA, o rei - que na época era príncipe herdeiro - também esteve no rancho de Crawford (Texas), pertencente a Bush.
Abdullah ainda presenteou Bush com um medalhão de ouro cravejado de pedras brancas e verdes, e ambos ressaltaram, durante a visita, seus fortes vínculos pessoais. ''O mínimo que podemos fazer é sermos hospitaleiros, em nome do rei Abdul Aziz, fundador do reino da Arábia Saudita'', afirmou Abdullah.
Apesar da hospitalidade demonstrada pelo rei, Bush é impopular entre os sauditas, principalmente devido à Guerra do Iraque a ao apoio americano a Israel.
'Boas-vindas'
Dando sequência à sua agenda no Oriente Médio, o presidente Bush chega hoje ao Egito, um aliado mais distante e com influência em declínio. Será em Sharm-el-Sheikh, cidade longe do Cairo, que o presidente Hosni Mubarak receberá por algumas horas seu colega norte-americano.
A imprensa egípcia denuncia a política dos EUA na região, mas os protestos contra Bush organizados pela oposição não reúnem mais que 50 pessoas nas ruas do Cairo. ''Trata-se do assassino dos palestinos e dos iraquianos, não podemos nunca recebê-lo no Egito'', clamou Mohamed Abdel Qudus, figura do islamismo radical, diante de alguns seguidores na frente do sindicato da imprensa.

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