Washington - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que acaba de ser reeleito para mais quatro anos, posou ontem de unificador, mas reafirmou a manutenção de sua linha política, tanto internacional quanto interna.
Em sua primeira entrevista coletiva à imprensa desde sua reeleição na terça-feira, o presidente republicano declarou que ''os eleitores americanos traçaram a direção de nossa nação para os quatro próximos anos''.
Bush foi reeleito com mais de 3,5 milhões de votos de vantagem em relação a seu adversário, o senador democrata John Kerry, e os republicanos aumentaram a maioria no Congresso.
Sobre o Iraque, o tema dominante da campanha eleitoral, Bush destacou que os Estados Unidos ''trabalharão'' com o governo do primeiro-ministro Iyad Allawi para organizar as eleições previstas para janeiro de 2005. ''Estamos realizando progressos no treinamento dos militares iraquianos. Haverá 125 mil militares treinados daqui às eleições'', afirmou.
Mais de 1.100 soldados americanos foram mortos no Iraque desde o início da guerra, em março de 2003, e a situação no país árabe continua caótica. Indagado sobre uma eventual ofensiva contra a cidade rebelde sunita de Fallujah, Bush admitiu que ''poderiam ser conduzidas ações em Fallujah''.
Bush reafirmou as grandes linhas da política que praticou durante seu primeiro mandato, apesar desta ter provocado conflitos com grande parte da comunidade internacional, além de ter suscitado uma forte oposição nos Estados Unidos.
O presidente republicano expressou sua determinação em continuar combatendo o terrorismo, o tema central de sua campanha eleitoral. ''Qualquer país civilizado tem um interesse na sorte desta guerra. Temos um dever comum de proteger nossos cidadãos, de enfrentar as doenças e a fome'', sustentou Bush.
Sobre a situação no Oriente Médio, Bush frisou: ''Minha esperança é que possamos realizar progressos''. O presidente americano recordou seu compromisso a favor de um Estado palestino independente, mas não anunciou novas iniciativas para relançar o processo de paz, paralisado desde um ano.
''Espero poder trabalhar com os democratas, pois não estou certo de que possamos obter estes resultados sem a participação deles'', reconheceu. Indagado sobre as nomeações que poderia decidir na Corte Suprema, o presidente afirmou que escolherá juízes capazes ''de separar suas opiniões pessoais da estrita aplicação da lei''. Os democratas temem a designação de ultraconservadores.

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