Bush leva vantagem na Suprema Corte
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segunda-feira, 11 de dezembro de 2000
Agência Estado De Washington 
A forte possibilidade de de a Suprema Corte dos Estados Unidos definir de uma vez por todas, entre hoje e amanhã, a surrealista eleição à Casa Branca em favor do candidato republicano, o governador do Texas, George W. Bush, foi claramente enunciada pelo juiz Antonin Scalia na opinião que ele escreveu para justificar a decisão do mais alto tribunal do país que, por um voto de cinco a quatro, suspendeu na tarde do sábado a recontagem manual de cerca de 60 mil votos em branco em 65 distritos eleitorais da Flórida, horas depois de ela ser iniciada. Basta dizer que a emissão desta liminar sugere que a maioria da corte, embora sem decidir sobre as questões apresentadas, acredita que o peticionário (Bush) tem uma probabilidade substancial de sucesso, afirmou Scalia.
A liminar tornou óbvia a disposição da Suprema Corte Federal de anular o efeito da decisão que uma igualmente dividida Suprema Corte da Flórida anunciara menos de 24 horas de acolher o processo de contestação judicial das eleições no Estado iniciado pelo vice-presidente Albert Gore, dando uma efêmera sobrevida ao candidato democrata.
O advogado David Boies, que representará Gore na arguição oral de 90 minutos do caso, a partir das 14 horas, horário de Brasília, reconheceu que tem uma montanha a escalar para convencer os juízes em Washington de que seus colegas da Flórida agiram corretamente e que a recontagem dos votos deve ser reiniciada. Se a decisão for de não contar os votos, chegaremos ao fim da estrada, disse ele, indicando que o vice-presidente ficará sem opções legais e terá que conceder a vitória a Bush.
James Baker, o ex-secretário de Estado e coordenador das forças de Bush na batalha político-judicial na Flórida, mostrou-se esperançoso quanto à decisão final da Suprema Corte. Mas, escaldado pelas muitas surpresas dos últimos 33 dias, evitou exibir otimismo ou fazer uma previsão. Não posso dizer, de forma absoluta, que é isso que vai acontecer, disse.
Mesmo que haja uma nova surpresa e o Supremo Tribunal Federal volte atrás e autorize o reinício da recontagem, é difícil ver como Gore poderá prevalecer, pois a decisão virá apenas horas antes ou, mais provavelmente, depois do prazo legal meia-noite de hoje que a Constituição do país estabelece para a escolha definitiva pelos Estados de seus representantes no Colégio Eleitoral de 538 membros. Estes se reúnem na próxima segunda-feira, nas assembléia legislativas estaduais, para escolher o presidente.


