Trenton, EUAO presidente norte-americano George W. Bush afirmou ontem que exige uma ''resolução enérgica'' de parte da ONU sobre o Iraque.
''Exijo que a ONU adote uma enérgica resolução, uma resolução que diga que os velhos métodos de blefe não valem mais, uma resolução que responsabilize este homem (o presidente iraquiano Saddam Hussen)'' pela violação de resoluções anteriores, disse o mandatário em um discurso.
Bush afirmou igualmente que Hussein poderá usar armas de destruição maciça ''sem avisar''. ''Saddam Hussein é uma ameaça para os Estados Unidos e para o resto do mundo''.
O presidente norte-americano também pediu ao Congresso que aprove rapidamente a lei de segurança interna. Afirmou, no entanto, que vai opor o veto presidencial a qualquer projeto votado pelo Congresso que ''não conceda a este presidente e a quem sucedê-lo a possibilidade de proteger o povo norte-americano''.
Bush também pediu ao Congresso a aprovação antes do recesso das eleições de 5 de novembro, do aumento solicitado no orçamento para o ano fiscal 2003, que começa em 1º. de outubro. ''Solicito este aumento porque quero enviar uma clara mensagem a todo o mundo, de que nos comprometemos a longo prazo na luta contra o terrorismo'', afirmou Bush.
Annan nega tensõesO secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que as notícias de tensões entre ele e o governo dos Estados Unidos a respeito do Iraque são meras especulações. Annan ressaltou que cada um sabe qual o papel que deve cumprir na crise.
Alguns jornais americanos informaram na semana passada que a administração do presidente George W. Bush estava irritada com o papel desempenhado por Annan ao tentar persuadir o Iraque a permitir o retorno dos inspetores de armas ao país, depois de quatro anos de ausência.
Denuncia iraquianaA imprensa iraquiana denunciou mais uma vez que os Estados Unidos estão decididos a atacar o Iraque e que suas gestões na ONU apenas visam proporcionar-lhes uma cobertura legal para justificar suas ações.
De acordo com a edição de ontem do jornal ''Al-Zawra'', órgão do partido árabe socialista ''Al-Baaz'', que governa o país, ''as manobras de Washington nas Nações Unidas para conseguir uma nova resolução sobre o Iraque têm um objetivo contrário''.O artigo da publicação reflete a denúncia feita em Bagdá pelo vice-presidente iraquiano, Taha Yassin Ramadan, que advertiu que ''a ONU não pode ser a plataforma de onde será lançada uma agressão'' contra seu país.
''Al-Zawra'' também ressalta que a decisão do Iraque de autorizar o retorno incondicional a Bagdá dos inspetores de desarmamento da ONU deve ''ser apreciada'' e não sancionada com ''o castigo de uma nova resolução''.
O regime de Bagdá advertiu que não está disposto a submeter-se a uma nova resolução, cuja aprovação encontra reticências dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. O diário ''Al Qasidiya'' especifica que qualquer nova resolução sobre o Iraque deve incluir apenas o cancelamento do embargo econômico internacional que ''pesa sobre o povo iraquiano''.

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