Nações UnidasO presidente dos Estados Unidos, George Bush, advertiu na Assembléia Geral da ONU, ontem, que ''uma ação é inevitável'' contra o Iraque, a menos que sejam cumpridas as resoluções das Nações Unidas que exigem seu desarmamento. ''As resoluções do Conselho de Segurança devem ser cumpridas, as exigências de paz e segurança devem ser atendidas ou uma ação será inevitável'', disse Bush na Assembléia Geral. ''Um regime que perdeu sua legitimidade também perderá seu poder'', disse.
Em seu discurso, Bush ressaltou com minúcia como o regime iraquiano do presidente Saddam Hussein está há uma década para cumprir as determinações impostas pela ONU depois da Guerra do Golfo (1991), quando suas tropas foram expulsas do Kuwait, após sete meses de ocupação. Bush acrescentou que a recusa de Bagdá em cumprir as muitas resoluções aprovadas pelo Conselho representa uma ameaça contra a autoridade das Nações Unidas, e sua credibilidade no mundo.
Bush acrescentou que os EUA trabalharão com outros membros do Conselho de Segurança para conseguir uma nova resolução a respeito do Iraque, mas não especificou que tipo de documento quer.
''Se o regime do Iraque desafiar de novo, o mundo deve movimentar-se de forma deliberada e decidida para obrigar o Iraque a que cumpra (com as resoluççoes). Não se deve colocar em dúvida a determinação dos Estados Unidos'', acrescentou Bush, que ressaltou que Bagdá mentiu reiteradamente sobre seus arsenais de destruição em massa.
Por outro lado, disse que a ONU enfrenta um momento difícil e decisivo por causa dos constantes desafios do Iraque.
BrasilO chanceler brasileiro Celso Lafer advertiu ontem os Estados Unidos ao afirmar que o país não deve atuar unilateralmente contra o Iraque, destacando que a força só pode ser empregada legitimamente de acordo com o que diz a Carta das Nações Unidas e com a aprovação do Conselho de Segurança.
Discursando antes do presidente George W. Bush, o chanceler brasileiro inaugurou a primeira sessão de trabalhos da 57 Assembléia Geral da ONU afirmando que ''o uso da força a nível internacional só é admissível quando todas as alternativas diplomáticas foram esgotadas''.
Bagdá reageO discurso do presidente George W. Bush na ONU foi recheado de ''exageros e mentiras'', afirmou ontem um líder do partido Baas em Bagdá Saad Kassem Hammudi, e a televisão pública iraquiana advertia que a região se ''incendiará'' se o Iraque for atacado. ''Esses exageros e flagrantes mentiras, como é sabido pelos membros do Conselho de Segurança, não deveriam partir do presidente do estado mais poderoso do mundo'', disse Hammudi.

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