WashingtonO presidente dos EUA, George W. Bush, disse ontem que uma solução pacífica para o conflito com o Iraque só será possível com o desarmamento completo e confiável do regime de Saddam Hussein, e que, se isso não acontecer, uma ação armada será ''inevitável''.
''Saddam tem que desarmar-se e ponto'', disse Bush na Casa Branca em uma reunião com membros do Congresso para apresentar o acordo obtido com a Câmara de Representantes para elaborar uma resolução autorizando uma possível ação armada contra o Iraque.
O presidente norte-americano declarou que se o regime iraquiano ''continuar desafiando (a comunidade internacional), o uso da força pode ser inevitável'', e pediu o estabelecimento de prazos concretos para a missão de inspetores da ONU que viajará em breve para o Iraque.
Bush reconheceu que uma ação contra o regime de Bagdá significaria ''muitos sacrifícios'' para o país, mas afirmou que é sua obrigação fazer tudo o que está a seu alcance contra o que qualificou como ''uma ameaça à segurança nacional''.
Segundo o presidente dos EUA, a aceitação por parte de Iraque do retorno incondicional dos inspetores de armas da ONU é uma manobra de Hussein, que ''cede o suficiente para evitar o castigo'', até que a atenção internacional se desvie para outros assuntos.
ApoioO presidente George W. Bush conseguiu ontem o apoio da Câmara de Representantes para elaborar uma resolução que lhe dê carta branca diante de uma possível ação militar contra o Iraque, uma iniciativa que ainda encontra obstáculos no Senado. A Câmara de Representantes, controlada pelos republicanos, chegou a um acordo sobre a linguagem da resolução, anunciou o líder da minoria democrata, Richard Gephardt, depois de uma reunião na Casa Branca entre Bush e um grupo de legisladores.
Em breves declarações aos jornalistas depois da reunião, Gephardt disse que ''durante muito tempo dissemos que o Iraque era um problema'' e que esse problema, depois dos atentados do 11 de setembro, é ainda maior.
O texto da resolução será debatido na Câmara na próxima semana e, segundo as primeiras minutas, estabelecerá que se os esforços diplomatas falharem, o presidente terá a capacidade unilateral de empreender uma ação militar contra Bagdá.
A resolução, que só com a aprovação da Câmara não terá validade, estabelece também que o presidente deverá comparecer cada 60 dias diante dos legisladores para informar sobre o andamento dos acontecimento, haja ou não intervenção militar.
O texto limita os casos nos quais se justificaria uma ação militar, que a Casa Branca queria ampliar com referências, não só às armas de destruição em massa, mas também a suas ameaças aos países vizinhos.
SenadoMas o Senado, onde os democratas são maioria, não conseguiu ainda se colocar de acordo a respeito de um texto a debater. O líder da maioria democrata no Senado, Tom Daschle, assegurou que não discutiu este assunto durante o café da manhã com o presidente Bush.

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